O real brasileiro enfraqueceu em direção a 5,30 por dólar americano, à medida que os investidores reagiram ao agravamento das tensões no Oriente Médio e às intervenções sem precedentes do Tesouro Nacional. A moeda voltou a ficar sob pressão depois que o Tesouro realizou recompra de títulos no total de 49,1 bilhões de reais, em uma tentativa de estabilizar as taxas de juros locais em meio à redução do colchão de liquidez.
A volatilidade doméstica está sendo amplificada por um Federal Reserve com postura hawkish e pela forte alta do petróleo Brent, que alcançou seu maior nível desde meados de 2022 após notícias de que os Estados Unidos consideram assumir o controle da Ilha de Kharg para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz. Embora o Banco Central do Brasil tenha iniciado cautelosamente um ciclo de afrouxamento — reduzindo a taxa Selic para um nível menor do que o esperado, de 14,75%, em sua reunião de março — o potencial de valorização do real permanece limitado pela retomada da força do dólar americano.
Os participantes do mercado continuam atentos à capacidade do Tesouro de administrar os vencimentos da dívida até 2027, especialmente porque o colchão de liquidez do governo caiu para 6,77 meses de cobertura em janeiro.