Ibovespa despenca com aversão ao risco

O Ibovespa despencou 3,3% e fechou aos 183.104 pontos na terça-feira, à medida que uma saída global de ativos de risco se acelerou após a morte do Líder Supremo do Irã e dos ataques a importantes instalações de energia no Golfo. O índice chegou a recuar quase 5% na mínima intradiária, antes de reduzir as perdas depois que a promessa do presidente Trump de enviar escoltas navais para petroleiros no Estreito de Ormuz tirou os preços do petróleo das máximas do dia.

Mesmo com essa correção no preço do petróleo, a perspectiva de um choque inflacionário impulsionado pela energia pesou fortemente sobre as expectativas de novos cortes de juros pelo BCB, penalizando ativos mais sensíveis à taxa de juros. Os grandes bancos lideraram o movimento de baixa: Itaúsa e Bradesco recuaram mais de 4,3%, enquanto a Vale caiu 4,5% em meio à retomada das preocupações com a demanda global. As perdas foram ainda maiores no setor de mineração em geral, com Gerdau e Bradespar caindo mais de 5,7%.

No front macroeconômico, o PIB do Brasil em 2025 cresceu 2,3%, o menor avanço anual desde a pandemia, enquanto a expansão trimestral praticamente estagnada, de apenas 0,1% no quarto trimestre, ressaltou uma forte perda de dinamismo. Algumas poucas exceções conseguiram contrariar o clima generalizado de aversão ao risco: Braskem e Raízen subiram mais de 2,7% cada. Ainda assim, os mercados seguem dominados pela turbulência regional e pelo elevado custo do crédito.