Real brasileiro despenca em meio à força do USD

O real brasileiro caiu além de 5,2 por dólar americano, à medida que uma tempestade perfeita de conflitos globais e aumento de barreiras comerciais neutraliza o apoio que normalmente seria garantido pelas altas taxas de juros do país. Embora a taxa Selic permaneça em um nível restritivo de 15%, a confiança interna enfraqueceu após o relatório de inflação de 27 de fevereiro, que revelou um forte aumento mensal de 0,84% nos preços — o ritmo mais rápido em um ano.

Esse surto de pressão inflacionária interna colide com a introdução, em 24 de fevereiro, de uma tarifa de importação de 10% aplicada de forma abrangente pelos Estados Unidos, uma medida que ameaça o crescimento de 17,4% das exportações do Brasil e seu superávit comercial de 4,34 bilhões de dólares. A tensão nos mercados se intensificou quando o dólar americano atingiu a máxima de cinco semanas após ataques militares no Irã e a morte de seu Líder Supremo. Com o Estreito de Ormuz efetivamente fechado, o risco de um choque global de energia e a consequente fuga para o dólar como porto seguro estão desviando capital para fora do Brasil.

Mesmo com uma arrecadação tributária recorde de 2,89 trilhões de reais, a moeda se vê presa entre uma inflação doméstica persistentemente elevada e um realinhamento geopolítico que reforça o status do dólar americano como principal refúgio mundial.