O real brasileiro enfraqueceu para além de 5,25 por dólar americano, atingindo a mínima em um mês, à medida que o país escorrega para uma armadilha de estagnação que deixa a economia exposta a uma fuga global em direção a ativos de refúgio. O último relatório do PIB confirmou crescimento próximo de zero, com a produção avançando apenas 0,1% na comparação trimestral, enquanto o investimento despencou 3,5% e a atividade industrial encolheu 0,7%, ressaltando como as taxas de juros elevadas estão reprimindo a demanda interna.
Essa estagnação agora colide com a introdução, em 24 de fevereiro, de uma tarifa de importação de 10% dos EUA sobre embarques globais, o que coloca em risco o superávit comercial de 4,34 bilhões de dólares que atualmente atua como principal motor de crescimento da economia. Pressões adicionais surgiram à medida que o dólar americano subiu à máxima em cinco semanas após ataques militares no Irã e a morte de seu Líder Supremo, acontecimentos que na prática fecharam o Estreito de Ormuz e intensificaram a corrida para ativos denominados em dólar.
Mesmo com uma arrecadação tributária recorde, totalizando 2,89 trilhão de reais, a moeda brasileira continua pressionada entre um núcleo doméstico enfraquecido e um cenário geopolítico em transformação que passa a favorecer de forma acentuada o dólar como refúgio máximo.