O Ibovespa recuou cerca de 0,5% nesta segunda-feira, voltando a ficar abaixo dos 179.000 pontos, à medida que a busca por ativos de segurança e a disparada dos preços globais de energia — impulsionados pelo agravamento do conflito no Oriente Médio — pressionaram a demanda por ativos brasileiros. Petrobras subiu mais de 3% com a alta do Brent acima de US$ 100 por barril, mas o ganho não foi suficiente para compensar um movimento generalizado de realização, liderado pela queda de 2,1% de Vale e pelo recuo de 2,4% de Embraer.
As condições financeiras mais apertadas continuam sendo um importante fator de pressão. O último Boletim Focus mostrou uma revisão para cima nas projeções para a taxa Selic em 2026, de 12,00% para 12,13% em apenas uma semana. Essa perspectiva mais hawkish para os juros domésticos sugere que a combinação de riscos de estagflação e choques de oferta na região tem levado os investidores a adotar uma postura mais defensiva.
Somando-se às preocupações, a colheita de soja atingiu apenas 51%, o ritmo mais lento desde 2020, enquanto os riscos de produtividade no Rio Grande do Sul ressaltam vulnerabilidades persistentes no motor de exportações agrícolas do Brasil.