Real brasileiro enfraquece à medida que aumentam as apostas em alta de juros pelo Fed

O real brasileiro se desvalorizou para cerca de 5,205 por dólar, aproximando-se da mínima em um mês de 5,21 registrada em 14 de agosto, à medida que um sinal de política monetária mais restritiva por parte do presidente do Fed, Warsh, fortaleceu o dólar. Warsh enfatizou que o Fed está acompanhando o índice PCE como seu principal indicador de inflação, usando uma linguagem mais firme do que indicações anteriores de que um grupo de trabalho recém-criado poderia reavaliar a medida de inflação preferida pelo banco central. Em resposta, os contratos futuros de juros passaram a precificar de forma mais clara a possibilidade de uma alta de juros pelo Fed no mês que vem.

No front doméstico, o Brasil gerou 58.568 empregos formais em julho, bem abaixo das expectativas de mercado de 112.000 e bem aquém dos 145.161 registrados em junho. A inflação desacelerou para 4,25% na primeira metade de agosto, ficando abaixo do teto da meta de 4,5% do BCB. A combinação de dados mais fracos do mercado de trabalho e de inflação pode abrir espaço para que o BCB mantenha o atual ciclo de afrouxamento, com cortes de 25 pontos-base.

Uma alta de juros pelo Fed combinada com um corte de juros pelo BCB reduziria o diferencial de juros entre os Estados Unidos e o Brasil, potencialmente diminuindo a atratividade dos ativos brasileiros. Ainda assim, a taxa de desemprego do Brasil caiu para 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho, o menor nível desde 2025.