As minutas da reunião anterior do Fed, publicadas ontem, não conseguiram provocar outro rally do dólar e não apoiaram em nada a moeda dos EUA. Não obstante, o par EUR/USD conseguiu cessar sua queda, atualmente mostrando uma correção de alta. Embora o preço desse par tenha subido no mercado ontem, o dólar dos EUA testou o nível de 1,17, atualizando a baixa de três meses em 1.1780. Porém, as "minutas" do Fed não permitiram que o par consolidasse abaixo do nível de 1.1800, o que decepcionou os ursos. O dólar dos EUA tornou-se novamente uma vítima das expectativas infladas dos traders - dados os resultados "agressivos" da reunião de junho do Fed, muitos especialistas tinham quase certeza de que as minutas dessa reuniao apenas fortaleceriam a posição do dólar dos EUA. Portanto, ele foi "comprado por rumores" quase o dia todo na quarta-feira.
O documento divulgado ontem não foi nada pacífico. Embora as minutas não focaram nos pontos específicos, nem destacaram o período de tempo para restringir a flexibilização quantitativa (desapontando assim os touros do dólar), ele confirmou a atitude "agressiva" do regulador. A Reserva Federal apenas esclareceu que não quer apressar-se para fazer decisões adequadas sobre restringir os parâmetros da política monetária.

Baseados no texto das minutas da reunião de junho, os membros do Fed estão determinados a permanecerem pacientes no início da restrição do programa de compra de ativos, já que a incerteza sobre as possibilidades da recuperação econômica subiram de certa forma. Os membros do Comitê decidiram analisar mais os dados recebidos "para avaliar o progresso do Banco Central para seus níveis alvos". Ao mesmo tempo, o regulador reconheceu que as condições financeiras reais melhoraram notavelmente de maio para junho, isso é, no período de tempo que passou entre a penúltima e a última reunião. De acordo com os membros do Fed, isso indica a estabilidade da recuperação econômica. Além disso, os representantes da Reserva Federal enfatizaram que a inflação, a médio prazo, permanecerá sob controle e seu crescimento recorde deve-se a fatores temporários. Resumindo a reunião, os membros do Comitê prometeram avisar os mercados previamente sobre a futura restrição da flexibilizaçãao quantitativa.
Aqui, é necessário lembrar dos eventos de quase um ano atrás. O Presidente do Fed falou sobre a revisão da estratégia do Banco Central dos EUA como parte de um simpósio econômico em Jackson Hole, em agosto de 2020. Foi um evento amplamente anunciado e igualmente antecipado. A transição da Reserva Federal dos EUA para mirar na inflação média foi chamada de um "evento histórico". É difícil discordar disso, já que a importante decisão do Fed ainda está conectada ao dólar dos EUA. Afinal, a nova estratégia do Banco Central dos EUA permite que o regulador mantenha as taxas de base no nível atual de baixa recorde por mais tempo. Falando figurativamente, o Fed concordou, no ano passado, em "tolerar" a inflação em um nível de 2%, sem restringir os parâmetros da política monetária. Dado o crescimento recorde do índice do preço no consumidor este ano (e outros indicadores da inflação), pode-se presumir que os membros do regulador dos EUA previram tal cenário em agosto do ano passado.
Houve vários cenários entre os analistas na época, incluindo os piores para o dólar dos EUA. Por exemplo, alguns estrategistas de câmbio presumiram que o regulador "toleraria" uma inflação de 3%, mantendo as taxas em um nível baixo. Em relação ao cenário de tais possibilidades, a moeda dos EUA estava sob forte pressão - o par EUR/USD caiu do 19º valor para a base do 16º.
Esse fator fundamental atualmente perdeu sua relevância. Na última reunião, a Reserva Federal destacou as condições sob as quais aumentaria a taxa de juros, enquanto a previsão dos pontos permitiu que os traders contassem com um aumento duplo na taxa em 2023. Se falarmos sobre as possibilidades da flexibilização quantitativa, apesar dos comentários "pacíficos" do Fed, o mercado permanece confiante de que o regulador começará a reduzir os incentivos este ano. Ontem, os analistas da Goldman Sachs declararam que, de acordo com suas estimativas, o Fed anunciará essa restrição, se não em novembro, então em dezembro, na reunião final deste ano. Ao mesmo tempo, o regulador começará a declarar sugestões correspondentes nas próximas reuniões - em agosto ou setembro.
Vale notar que o euro agora está no início do caminho pelo o qual o dólar já passou. A verdade é que o Banco Central Europeu completou uma avaliação estratégica de sua política ontem, e hoje, muito provavelmente, anunciará sua decisão. A maioria dos especialistas acreditam que o regulador aumentará a inflação para o alvo e 2%. Anteriormente, foi determinada pelo Banco Central como ligeiramente menor, mas próxima da marca de dois por cento.
O BCE também pode declarar o alvo da inflação como "simétrico", permitindo assim a possibilidade da inflação passar desse nível se necessário. Devemos lembrar que os últimos dados do crescimento do IPC da Zona euro, foram divulgados na zona vermelha: o índice geral do preço no consumidor desacelerou seu crescimento, atingindo 1,9% (após um aumento para 2%) e o índice núcleo veio em 0,9% (após um aumento para 1% em maio).

Nesse caso, a nova estratégia do BCE, assim como as intenções "agressivas" do Fed a médio prazo, podem pressionar significativamente o euro no geral e, especificamente, o par EUR/USD. Do ponto de vista técnico, qualquer crescimento mais ou menos em larga escala do par ainda deve ser usado para abrir posições curtas, com o primeiro alvo em 1.1806 (baixa do preço de três meses) e com o alvo principal de 1.1750 (linha inferior do indicador de Bandas de Bollinger no gráfico diário).
