A esperança sustenta os jovens e conforta os mais velhos. Os entusiastas do Bitcoin acreditam que um rompimento acima da resistência de US$ 95.000 abriria espaço para uma disparada rumo a US$ 200.000. Já os críticos das criptomoedas alertam que uma queda abaixo de US$ 85.000 poderia forçar tesourarias cripto a liquidarem seus tokens. Nesse cenário, todo o sistema — incluindo o par BTC/USD — poderia ruir como um castelo de cartas.
Diante desse pano de fundo, a fase de consolidação do Bitcoin não chega a surpreender. Rumores de que a MSCI poderia excluir empresas ligadas a criptoativos de seus índices pressionaram os preços para baixo. No entanto, assim que a informação não se confirmou, o BTC/USD reagiu com força. Para frustração dos touros, porém, o movimento teve mais cara de rali de alívio do que de uma retomada estrutural.
Embora os ETFs de Bitcoin tenham registrado as maiores entradas líquidas diárias em vários meses, os investidores optaram por manter uma postura cautelosa — e, ao que tudo indica, com razão.
Dinâmica dos fluxos de capital para ETFs de Bitcoin

Um dos fatores por trás do otimismo recente dos traders em relação às criptomoedas foi a aprovação, pelo Congresso dos Estados Unidos, da legislação voltada às stablecoins. Na prática, porém, os maiores beneficiados foram justamente esses ativos. Em 2025, os volumes de transações com stablecoins dispararam 72%, alcançando US$ 33 trilhões. O USDC liderou com um volume de US$ 18,3 trilhões, seguido pelo USDT, com US$ 13,3 trilhões.
O Bitcoin, por sua vez, permanece sob pressão após a divulgação de resultados da Strategy, uma das pioneiras no modelo de tesouraria em criptoativos. A empresa de Michael Saylor reportou prejuízos não realizados de US$ 17,44 bilhões no quarto trimestre, enquanto suas ações acumulam queda de cerca de 70% em relação às máximas históricas.
Ao mesmo tempo, cresce o receio de que uma nova rodada de desvalorização do par BTC/USD possa forçar a Strategy e empresas semelhantes a liquidarem parte de suas posições em Bitcoin. Nesse cenário, investidores temem um efeito dominó, no qual a principal criptomoeda poderia desabar como um verdadeiro castelo de cartas.
Dinâmica da relação entre os ativos da Strategy e suas reservas
O Bitcoin não tem sido beneficiado pelos novos recordes do S&P 500 e do ouro. Por muito tempo, o ativo digital foi percebido como algo intermediário entre um ativo de risco e um porto seguro. Em diversas ocasiões, acompanhou os ralis do mercado acionário dos Estados Unidos e também se valorizou em episódios de choque que, ao mesmo tempo, impulsionaram os metais preciosos.
No entanto, na virada de 2025 para 2026, esse comportamento mudou. A atual valorização do ouro passou a atuar como um fator negativo, e não mais de suporte, para o BTC/USD. A cripto enfrenta pressão, entre outros motivos, pela realocação de capital em direção aos metais preciosos e às ações americanas. Com isso, o ativo perdeu fôlego, interrompeu sua trajetória de alta e passou a ver os investidores redirecionarem seus recursos para outras classes de ativos.

A mesma rotação também está em curso no mercado acionário dos Estados Unidos. As ações das grandes empresas de tecnologia vêm cedendo espaço para papéis de pequena capitalização. Como o Bitcoin mantém uma correlação elevada com o Nasdaq 100, o movimento de consolidação nesse índice contribui para a formação de uma faixa lateral de negociação na criptomoeda.
Sob a ótica técnica, o gráfico diário do BTC/USD indica consolidação entre US$ 84.000 e US$ 94.000, após uma tentativa frustrada de rompimento do limite superior dessa faixa. A formação de uma pin bar com longa sombra superior sugere enfraquecimento do ímpeto comprador. Um rompimento abaixo do nível de valor justo em US$ 87.750 passa a configurar um gatilho técnico para vendas.
