Os investidores parecem precisar apenas de um pretexto para vender ações de tecnologia. A declaração da Casa Branca de que a NVIDIA deverá cumprir novas regras de segurança para a venda de chips de IA à China — somada às novas normas de proteção ao consumidor para IA adotadas na Flórida — atuou como catalisador para a correção do Nasdaq Composite. O S&P 500, por sua vez, acumulou duas sessões consecutivas de queda.
Já não é mais necessário que as chamadas "Sete Magníficas" liderem os movimentos do mercado. As ações de tecnologia deixaram de funcionar como o porto seguro que pareciam ser após a pandemia de COVID-19 — uma percepção cada vez mais recorrente entre os investidores. Essa rotação favoreceu os índices de small caps, como o Russell 2000, que superaram o S&P 500 por nove sessões seguidas, registrando a sequência mais longa desde 1990.
Dinâmica do mercado de ações dos EUA

Os bancos também contribuíram para a queda do S&P 500. O lucro por ação do Wells Fargo ficou abaixo das expectativas, o crescimento trimestral de 12% no lucro do Bank of America não foi suficiente para satisfazer os investidores, e a provisão de US$ 1,2 bilhão do Citi, relacionada ao encerramento de suas operações na Rússia, assustou o mercado. As estimativas de lucros corporativos para o índice amplo no quarto trimestre parecem esticadas, o que aumenta o risco de uma correção mais acentuada.
Os dados macroeconômicos dos EUA tampouco ajudaram o S&P 500. As vendas no varejo subiram 0,6% em novembro, enquanto os preços ao produtor desaceleraram para 0,2% na comparação mensal. Esses números, por ora, reforçam a postura de "esperar para ver" da Reserva Federal. O mercado de futuros precifica a retomada do afrouxamento monetário apenas por volta de junho. Até lá, o S&P 500 permanece praticamente sem uma almofada de proteção.
A geopolítica também pesa sobre o sentimento dos investidores. Os mercados estão sensíveis à chamada doutrina "Donro", a intenção de Donald Trump de exercer domínio sobre o Hemisfério Ocidental. A pressão exercida sobre Venezuela e Irã corre o risco de desagradar a China, grande compradora de petróleo desses países. Além disso, as reivindicações da Casa Branca sobre a Groenlândia podem levar Pequim a intensificar a pressão sobre Taiwan. Nesse cenário, empresas de tecnologia figuram entre as principais potenciais vítimas: a NVIDIA, por exemplo, obtém cerca de 16% de sua receita em Taiwan.
Índice Composto de Xangai e dinâmica do yuan

A China também pode prejudicar o clima nos mercados de ações dos EUA de outras maneiras. A rotação não é apenas das gigantes da tecnologia para os setores cíclicos sensíveis dos EUA — o capital está saindo dos Estados Unidos e indo para outros mercados, o que coloca pressão adicional sobre o S&P 500.

A China parece atraente. O Goldman Sachs elevou a sua meta para o Índice Composto de Xangai para 5.200 até o final de 2026, o que implica uma alta de aproximadamente 9%. O banco espera que os lucros das empresas locais acelerem de cerca de 4% em 2025 para um crescimento mais forte em 2026-2027.
Passando para a perspectiva técnica do S&P 500, o gráfico diário mostra a formação de uma barra com uma longa sombra inferior. Um retorno à alta dessa barra, em 6.840, seria um sinal de compra. Por outro lado, uma queda abaixo do nível de valor justo, em 6.905, seria um motivo para vender.
