Os eventos de hoje provavelmente determinarão o destino a curto prazo da volatilidade do mercado financeiro. Na quarta-feira, Trump será a figura central no Fórum Econômico Mundial, e os participantes acompanharão o desenrolar do confronto público do presidente com um número crescente de aliados da Groenlândia, bem como as discussões sobre o renascimento do comércio "venda dos Estados Unidos".

A pergunta que fica é se os países europeus, que detêm trilhões de dólares em títulos e ações dos EUA, poderiam decidir usar esses ativos como instrumento de pressão e reduzir sua exposição, após a ameaça de Donald Trump de impor tarifas adicionais a países que se opõem aos seus planos em relação à Groenlândia. Ontem, um fundo de pensões dinamarquês optou por vender integralmente seus Treasuries dos EUA, um precedente relevante e um desafio à percepção de que esses títulos são um ativo isento de risco.
O sentimento dos investidores permanece elevado e instável. A incerteza em torno de guerras comerciais e de tensões geopolíticas reforça a procura por ativos considerados mais seguros. O ouro e moedas de economias desenvolvidas vêm registrando maior demanda. A duração desse movimento dependerá, em grande medida, da capacidade dos formuladores de políticas de encontrar compromissos e promover a desescalada do conflito.
As decisões e sinalizações que emergirem hoje em Davos serão determinantes para definir se a volatilidade continuará a aumentar ou se surgirão sinais de estabilização. Acompanhar de perto os desdobramentos e analisar os dados com cautela continuam sendo ferramentas essenciais para investir em um ambiente marcado pela incerteza.
Scott Bessent, secretário do Tesouro e integrante da comitiva norte-americana já presente no resort suíço, afirmou ontem não esperar resistência significativa por parte dos líderes europeus e pediu que aceitassem a medida, caso ela se tornasse necessária. Ele classificou como "alegação falsa" as suposições de que a Europa retaliaria por meio da venda de Treasuries e apelou por calma, observando que a situação se desenvolveu apenas nas últimas 48 horas. Bessent disse ainda estar confiante de que os líderes evitarão uma escalada e encontrarão uma solução para a questão.
Vale lembrar que os países europeus detêm cerca de 40% dos Treasuries dos EUA. Na prática, nenhum país europeu isoladamente tem capacidade de romper laços com os Estados Unidos, seja no plano econômico, seja no de segurança. O limiar implícito para uma venda coordenada e significativa de Treasuries seria extremamente elevado, exigindo um agravamento severo das tensões, um cenário considerado, por ora, pouco provável.
Por enquanto, o euro é o principal beneficiário no mercado cambial, enquanto o dólar americano continua a perder terreno.
Uma perspectiva técnica para o EUR/USD sugere que os compradores devem considerar recuperar 1,1745. Só isso permitirá um teste de 1,1765. A partir daí, é possível um movimento para 1,1785, embora seja difícil avançar além disso sem o apoio dos principais participantes. O alvo estendido é a alta em 1,1810. Em caso de queda, é provável que haja um interesse de compra significativo apenas em torno de 1,1714. Se não houver compradores nesse nível, seria prudente esperar por um novo mínimo em 1,1690 ou abrir posições de compra a partir de 1,1660.
Quanto ao GBP/USD, os compradores da libra esterlina precisam capturar a resistência mais próxima em 1,3460. Só isso lhes permitirá atingir 1,3490, acima do qual uma quebra seria desafiadora. A meta estendida é a área próxima a 1,3520. Se o par cair, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3425. Se tiverem sucesso, uma quebra dessa faixa representaria um sério golpe para as posições compradoras e poderia empurrar o GBP/USD para baixo, para 1,3400, com possibilidade de extensão para 1,3380.
