Os resultados preliminares do Fórum Econômico Mundial em Davos foram bem recebidos pelos touros do dólar. Embora o fórum só se conclua amanhã, ontem já foi um dia de grande importância para os traders do mercado cambial. Essencialmente, o destino da Groenlândia foi definido: a disputa política em torno da ilha atingiu seu clímax.
Ao contrário das previsões mais sombrias, Donald Trump não seguiu pelo caminho mais escalacionista. Segundo fontes da imprensa, ele recuou de suas exigências máximas e aceitou um acordo que preserva a soberania dinamarquesa.

Segundo a Axios, o acordo prevê a atualização de um tratado de 75 anos ("Sobre a Defesa da Groenlândia"). Esse documento permite aos Estados Unidos construir bases militares na ilha e estabelecer zonas de defesa sujeitas a decisão pertinente da OTAN. Ao mesmo tempo, é enfatizado que o acordo aprovado por Trump não prevê a transferência da ilha dinamarquesa para os EUA. Segundo a Axios, Washington iniciará negociações com a Dinamarca nas próximas semanas sobre os parâmetros de um eventual acordo.
Os participantes do mercado respiraram aliviados, e o índice do dólar dos EUA recuperou parcialmente suas posições.
No entanto, não há euforia nos mercados. Por exemplo, os vendedores do par EUR/USD empurraram o preço até o suporte intermédio em 1,1670 (linha Tenkan-sen no diário), mas não conseguiram rompê‑lo, apesar da alta do DXY.
Na minha opinião, essa reação contida dos traders pode ser explicada por vários fatores. Em primeiro lugar, o acordo mencionado ainda não foi oficialmente confirmado. Em sua rede social, Donald Trump afirmou ter acertado com o primeiro-ministro Rutte, em termos gerais, o enquadramento de um entendimento sobre a Groenlândia e, por isso, não imporia tarifas à União Europeia e ao Reino Unido. No entanto, o presidente norte-americano não especificou se a Dinamarca concorda com esse acordo — ou sequer se Copenhague tomou conhecimento dos entendimentos alcançados.
Em segundo lugar, o chefe da Casa Branca continua, de facto, a insistir na aquisição da Groenlândia — e não apenas de forma pública. Segundo o Daily Mail, Washington planeja oferecer a cada residente da Groenlândia um milhão de dólares em troca de um voto favorável à integração da ilha aos Estados Unidos. De acordo com fontes do jornal, esse plano está sendo considerado como uma alternativa para ampliar a presença militar norte-americana na região do Ártico.
Por fim, os traders estão gradualmente deslocando o foco de volta para fatores fundamentais "clássicos" e, por isso, não têm pressa em tomar decisões de negociação — incluindo posições a favor do dólar — antes da divulgação de relatórios importantes durante a sessão norte-americana de quinta-feira.
Em particular, hoje será divulgada a leitura de novembro do índice PCE core, um dos indicadores de inflação mais relevantes. Segundo a previsão da maioria dos analistas, o indicador deve desacelerar para 2,7%, depois de recuar para 2,8% no mês anterior (outubro). Hoje receberemos apenas os dados de novembro (em função das consequências do shutdown), mas a divulgação continua tendo grande importância, por se tratar do último indicador-chave de inflação antes da reunião do Federal Reserve, agendada para a próxima semana.
Também serão publicados hoje os dados de crescimento do PIB dos EUA (estimativa final do terceiro trimestre de 2025). De acordo com as previsões preliminares, a estimativa final deve confirmar a leitura inicial, em 4,3%. O consenso de mercado e vários modelos de cálculo — em particular o GDPNow do Fed de Atlanta — apontam para uma dinâmica estável da economia norte-americana. Os riscos de baixa estão sobretudo associados a uma possível revisão dos volumes de estoques e do investimento empresarial; contudo, na opinião da maioria dos especialistas, é improvável que isso leve a uma revisão significativa do número principal.
Outro relatório importante de hoje é o de pedidos iniciais de auxílio-desemprego. As previsões indicam que esse número deve subir para 209 mil. Para os touros do dólar, é importante que o indicador permaneça abaixo da marca de 200 mil (na semana passada, os pedidos aumentaram para 198 mil). Embora a diferença entre 198 mil e 209 mil seja pequena em termos práticos, o fator psicológico pode ter peso: se o indicador ficar abaixo de 200 mil pela segunda semana consecutiva, o dólar poderá receber um apoio substancial.
Assim, a incerteza persiste para o par. Os resultados preliminares de Davos deram algum suporte à moeda norte-americana, mas, para um movimento sustentado de queda do EUR/USD, os vendedores precisam de vetores informacionais adicionais — desta vez de natureza macroeconômica. Portanto, toda a atenção está voltada para as divulgações de hoje, que devem determinar a direção do movimento de preços, especialmente se os números saírem na chamada "zona verde".
A análise técnica também aponta incerteza, e no gráfico diário, o par EUR/USD está na linha média das Bandas de Bollinger, entre as linhas Tenkan‑sen e Kijun‑sen, e acima da nuvem Kumo. Quadro semelhante formou‑se nos timeframes 4H e W1. Passa a fazer sentido considerar posições de vendas no par quando os ursos romperem o nível de suporte em 1,1650 (a borda inferior da nuvem Kumo no D1) — nesse caso, o indicador Ichimoku emitiria no gráfico diário um sinal baixa de "Linhas Paralelas - Parade Lines". O alvo do movimento descendente seria o nível de 1,1580, que corresponde à banda inferior de Bollinger no mesmo intervalo.
