
O iene japonês continua sob pressão, à medida que a redução dos riscos de uma guerra comercial diminui seu apelo como ativo de proteção. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a ameaça de tarifas elevadas sobre produtos de vários países europeus e, na quarta-feira, em Davos, anunciou um esboço de acordo futuro com a OTAN sobre a Groenlândia.
Enquanto isso, o mercado de títulos do Japão sofreu uma forte liquidação na terça-feira devido às crescentes preocupações com a situação fiscal do país, em meio às políticas fiscalmente expansionistas da primeira-ministra Sanae Takaichi. A fraca demanda no leilão de títulos do governo de 20 anos, realizado no mesmo dia, agravou o sentimento negativo, empurrando os rendimentos dos títulos de longo prazo para máximas históricas. Ainda assim, o cenário fundamental desfavorável para o iene é parcialmente compensado por expectativas mais "hawkish" em relação à política monetária do Banco do Japão.
No início desta semana, a Reuters citou autoridades do Banco do Japão afirmando que um aumento da taxa de juros já em abril continua sendo uma possibilidade. O recente enfraquecimento do iene pode intensificar as pressões inflacionárias e levar o BoJ a acelerar suas medidas de aperto monetário. Uma pesquisa do Banco do Japão referente a dezembro, divulgada na segunda-feira, mostrou que a maioria das famílias japonesas espera que os preços continuem subindo nos próximos anos.
Isso está em linha com os dados da última sexta-feira, que mostraram que a inflação anual do Japão superou a meta de 2% do Banco do Japão por quatro anos consecutivos, ressaltando a necessidade de um maior aperto monetário. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, sugeriu na semana passada a possibilidade de uma intervenção conjunta com os Estados Unidos para estabilizar o recente enfraquecimento da moeda nacional.
Por enquanto, os compradores de iene evitam assumir posições agressivas, preferindo aguardar a reunião de dois dias do Banco do Japão, que começa na quinta-feira, com a decisão prevista para sexta-feira. Espera-se amplamente que o banco central mantenha as taxas de juros inalteradas após elevar a taxa de empréstimo overnight para 0,75% em dezembro — o nível mais alto em 30 anos. A atenção então se voltará para os comentários do presidente do BoJ, Kazuo Ueda, na coletiva de imprensa, para avaliar o momento do próximo aumento de juros, o que influenciará a trajetória do iene.
Enquanto isso, o dólar americano tenta manter um tom positivo em meio à redução dos riscos comerciais.

Isso reforça ainda mais o par USD/JPY antes da divulgação do índice de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) dos EUA e do relatório final do crescimento do PIB do terceiro trimestre, ambos os quais podem proporcionar um impulso significativo.
Do ponto de vista técnico, o par está sendo negociado acima de todas as médias móveis importantes, sinalizando uma tendência positiva. Os osciladores no gráfico diário também estão em território positivo, sugerindo que o caminho de menor resistência continua sendo de alta. A resistência está localizada no nível 158,60; uma quebra acima desse nível abriria caminho para a alta de janeiro.
O suporte é fornecido pela EMA de 9 dias e pelo nível psicológico de 158,00. Se esse nível não se mantiver, os preços podem acelerar a queda em direção à SMA de 20 dias, localizada em torno de 157,40.
