Quanto melhores os resultados passados, maiores se tornam as expectativas. Temporadas de lucros anteriores particularmente fortes elevaram o nível de referência a tal ponto que as empresas do S&P 500 agora enfrentam dificuldade para superá-lo. Até o momento, apenas 76% das companhias que divulgaram resultados superaram as estimativas de lucro de Wall Street, enquanto a mesma proporção ficou acima das projeções de receita. O primeiro dado é o mais fraco em três trimestres; o segundo, o pior em quatro.
Os mercados tendem a penalizar duramente as empresas quando os resultados efetivos ficam aquém das projeções. Em média, uma ação recua 0,5 ponto percentual após a divulgação, desempenho inferior ao do próprio S&P 500 no período. Trata-se do primeiro sinal negativo desse indicador em dois anos.
Empresas do S&P 500 superam estimativas e reações do mercado

Um exemplo notável foi a reação do mercado aos resultados decepcionantes da Microsoft. A empresa reportou custos mais elevados com infraestrutura de inteligência artificial e um ritmo mais lento de crescimento na divisão de nuvem. Como uma das quatro companhias com capitalização de mercado superior a US$ 3 trilhões, a queda de cerca de 10% nas ações da Microsoft acabou, de forma previsível, pressionando o S&P 500.
Esse foi o maior recuo percentual da Microsoft desde a pandemia. A perda de aproximadamente US$ 357 bilhões em valor de mercado em apenas um dia estabeleceu um anti-recorde para a empresa e representou a segunda maior destruição diária de valor já registrada por qualquer companhia no mundo.
A liquidação do S&P 500 desencadeada pela Microsoft abriu espaço para que os investidores recorressem a uma estratégia bem conhecida: comprar na queda. Essa operação se apoia na confiança em uma economia americana resiliente, na expectativa de retomada do ciclo de afrouxamento monetário pelo Fed e no suporte político da Casa Branca. Em conjunto, esses fatores funcionam como um colchão de segurança para o S&P 500, embora vulnerabilidades relevantes ainda persistam.
Em particular, cresce a probabilidade de Kevin Warsh assumir a presidência do Federal Reserve. Historicamente, Warsh demonstrou uma postura mais hawkish durante seu período como membro do FOMC. Em tese, isso poderia postergar o início de um novo ciclo de afrouxamento monetário e pressionar o mercado acionário. Por outro lado, um Fed sob sua liderança poderia reforçar a independência institucional do banco central — um fator que tende a ser bem recebido pelos investidores em ações nos Estados Unidos.
Dinâmica do S&P 500, do dólar americano e dos títulos dos EUA

O maior beneficiário desse cenário seria o dólar americano. A recente venda do dólar foi impulsionada em grande parte pela cobertura do risco cambial de títulos americanos por não residentes. Se a independência do Fed não estiver em risco, essas coberturas podem ser revertidas.

A temporada de resultados continua. A atenção dos investidores está se voltando para outras empresas do Magnificent Seven que podem movimentar significativamente o índice geral.
Tecnicamente, o gráfico diário mostra que o S&P 500 formou uma barra pin com uma longa sombra inferior. Isso indica fraqueza dos ursos e oferece uma oportunidade para colocar uma ordem de compra stop perto da alta em 6.991. A ativação dessa ordem permitiria aos traders aumentar as posições de compra existentes com alvos em 7.060 e 7.140.
