Bitcoin e Ethereum vêm renovando mínimas em sincronia nesta semana. Todo o mercado de criptomoedas segue em queda paralela. Mas o que levou o Bitcoin a perder quase 40% — cerca de US$ 50.000 — em apenas quatro meses?
Antes de tudo, dois lembretes importantes para os traders. Nenhuma tendência de alta dura para sempre. Há exceções, claro, mas essa regra se aplica à maioria dos casos. Pode-se até acreditar que o ouro consiga se valorizar por um período prolongado (embora mesmo esse rali impressionante dificilmente seja eterno), mas o Bitcoin não é ouro e não possui valor intrínseco físico.
Além disso, até hoje, todo ciclo de alta do Bitcoin terminou com uma queda de 70% a 80%. Do nosso ponto de vista, portanto, o movimento atual é inteiramente natural.
Enquanto isso, os traders se perguntam não apenas o que vem a seguir para o Bitcoin e para o mercado cripto, mas também o que acontecerá com empresas do setor, como a MicroStrategy, que investem em ativos digitais há anos. Vale destacar que a empresa utilizou não só capital próprio para comprar Bitcoin, mas também recursos tomados por meio de empréstimos.
Enquanto o BTC subia e renovava máximas históricas, as ações da companhia também atingiam picos. Agora, com o Bitcoin acumulando uma queda de cerca de 40%, os papéis são negociados em níveis bem mais baixos. Analistas estimam que o preço médio de compra de BTC pela MicroStrategy esteja em torno de US$ 76.000. Assim, após anos de acumulação, a empresa liderada por Michael Saylor encontra-se atualmente em prejuízo.
Vale notar ainda que, no fim do ano passado, muitos investidores reduziram exposição a criptoativos e a ações de tecnologia de maior risco. Isso diminuiu significativamente a capacidade das empresas do setor de continuar comprando Bitcoin a qualquer preço. O cenário passa a lembrar uma casa de cartas — ou até uma pirâmide financeira: a MicroStrategy contrai dívidas e compra BTC, o que sustenta tanto o preço do Bitcoin quanto o valor de suas ações. Quando o Bitcoin cai, não há novos recursos para sustentar os preços, as ações despencam e toda a estrutura começa a ruir.
Bitcoin vs. ações de tecnologia e ouro

O ouro, a prata e outros metais preciosos passaram a ofuscar o Bitcoin, provocando uma rotação de capital para fora do BTC e pressionando seus preços. Ainda assim, o colapso desses ativos concorrentes não funcionou como um salva-vidas para o Bitcoin. Sua ação de preço recente se assemelha muito mais à das empresas de software, justamente as ações mais penalizadas pelos temores de que a IA venha a substituir seus modelos de negócio. Um rali expressivo nas ações de tecnologia em 6 de fevereiro, o mais forte desde maio, acabou se refletindo também no ativo digital, oferecendo algum suporte às cotações.
A pressão exercida sobre o Bitcoin entre outubro e fevereiro reduziu sua volatilidade relativa. Não faz muito tempo, a criptomoeda era vista como o mais arriscado entre os ativos de risco e era comprada simplesmente por estar em tendência de alta. A volatilidade extrema sempre foi parte de sua identidade, e a recente compressão na variabilidade de preços afastou capital do mercado. Nesse contexto, o salto acentuado da medida de volatilidade, de 57% para 97% nos primeiros dias de fevereiro, pode ser interpretado como um sinal construtivo para o BTC/USD, sobretudo porque coincidiu com entradas diárias de US$ 221 milhões em ETFs spot de Bitcoin no fim da semana.
O aumento da volatilidade pode ser impulsionado pela liquidez

No entanto, o aumento da volatilidade pode ter uma causa prosaica: a profundidade do mercado de criptomoedas entrou em colapso, reduzindo sua capacidade de absorver grandes negociações. Isso provavelmente reflete uma escassez de liquidez. Nesse sentido, a intenção do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, de reduzir o balanço patrimonial do Fed pode representar um duro golpe para o BTC/USD.

Por enquanto, o Bitcoin está tentando encontrar um fundo e entender o que está acontecendo.
Tecnicamente, o gráfico diário do BTC/USD mostra uma consolidação após um declínio prolongado. Os alvos de queda para US$ 70.000 e US$ 60.000 foram atingidas. Agora faz sentido colocar ordens de venda pendentes em US$ 67.200 e ordens de compra em US$ 72.200.
