"Vender primeiro, perguntar depois." Esse tem sido o lema do mercado acionário dos EUA em 2026. No entanto, a estratégia não parece ter funcionado muito bem: em fevereiro, o S&P 500 registrou seu pior desempenho mensal desde março do ano passado, e o conflito armado no Oriente Médio ampliou os temores de que a consolidação atual termine em uma correção, e não na retomada da tendência de alta.
Desempenho mensal do S&P 500

Em 2025, os investidores abraçaram a narrativa da IA e compraram cada recuo do mercado. Após a validação dessa tese, porém, passaram a vender ações dos EUA. Apesar de resultados corporativos robustos, o mercado acionário americano dificilmente pode ser classificado como excepcional.
No quarto trimestre, os lucros das empresas do S&P 500 cresceram 13% e superaram as estimativas de Wall Street em 5 pontos percentuais. Já os lucros das companhias europeias avançaram 4,5% — cerca de três vezes acima do esperado.
Ainda assim, 75% das empresas americanas superaram as estimativas — a menor proporção em três anos, ante 82% no terceiro trimestre. Na Europa, esse percentual foi de 47%, abaixo da média de cinco anos, de 54%.
Apesar disso, ao contrário do S&P 500, o EuroStoxx 600 avançou quase 4% em fevereiro, estendendo sua sequência de ganhos para oito meses consecutivos.
Desempenho do mercado e ações europeu

Há sinais claros de uma rotação de capital dos Estados Unidos para a Europa. E essa não é a única região que vem atraindo fluxos de investidores americanos. Segundo o Citigroup, gestores globais de ativos que administram cerca de US$ 20 trilhões demonstram preferência por mercados da Ásia, América Latina, Oriente Médio e até da África. O forte desempenho dos índices da Coreia do Sul e de Taiwan tem acelerado a saída de capitais dos Estados Unidos.
O S&P 500 também não encontra pleno suporte nos fundamentos econômicos. A desaceleração do PIB dos EUA para 1,4% foi o primeiro sinal de alerta — e, a partir daí, o quadro tornou-se mais desafiador. A alta dos preços ao produtor, somada ao conflito armado no Oriente Médio, eleva o risco de uma pausa prolongada no ciclo de afrouxamento monetário do Fed. Mesmo que Donald Trump venha a nomear Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, uma única pessoa não altera o funcionamento da instituição. O banco central não é um espetáculo individual; as decisões do FOMC são tomadas de forma colegiada.

Se, em 2025, um corte na taxa dos Fed Funds era visto como uma espécie de almofada de segurança para o S&P 500, essa proteção já não existe para o índice amplo. Além disso, Donald Trump não parece excessivamente preocupado com a faixa de negociação mais estreita das ações no início do ano desde a década de 1960. O chamado "Trump put" não está funcionando, o que torna os ursos mais ousados. Some-se a isso a deterioração do apetite global por risco em razão da geopolítica, e fica claro que os compradores enfrentam um cenário desafiador.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário indica que o S&P 500 permanece em uma consolidação de médio prazo entre 6.800 e 7.000 pontos. O risco de rompimento da borda inferior vem aumentando. Gatilhos para novas vendas seriam testes dos níveis de suporte em 6.835, 6.815 e 6.800.
