Nem tudo são más notícias. No último mês, o dólar ponderado pelo comércio subiu cerca de 3%. Grande parte desse avanço ocorreu após 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram alvos no Irã. Teerã não dá sinais de recuo, o que, por sua vez, intensificou a tensão política nos EUA. Donald Trump proclama em voz alta a superioridade militar americana, mas Teerã permanece inabalável.
Os principais fatores por trás da força do dólar no contexto do conflito no Oriente Médio são seu status de ativo de refúgio, o papel dos EUA como exportador líquido de energia, a redução dos fluxos de hedge cambial por investidores estrangeiros em ativos americanos e um forte ajuste de cobertura de posições curtas no dólar. Em apenas duas semanas de confronto, as posições especulativas vendidas foram reduzidas em cerca de dois terços.
Dinâmica do USD e dos diferenciais de rendimentos do G10.

A política monetária ficou em segundo plano. De fato, os futuros reduziram as expectativas de cortes de juros pelo Fed em 2026, enquanto os derivativos ligados ao BCE já precificam aumentos na taxa de depósito. Como resultado, o diferencial de rendimentos entre os Treasuries e os títulos soberanos do G10 está se estreitando, enquanto o índice do dólar americano continua a subir. Essa divergência mostra que, no momento, o petróleo pesa mais do que as taxas de juros no mercado cambial.
O dólar costuma se valorizar como ativo de refúgio durante choques nos mercados globais — e o conflito no Oriente Médio volta a comprovar isso. O dólar superou o ouro, o iene japonês e o franco suíço.
O fato de os Estados Unidos terem se tornado um dos maiores produtores de petróleo do mundo reforça a ideia de que a economia americana pode suportar até mesmo um pico do Brent em US$ 150 por barril. As moedas de países exportadores de energia parecem relativamente mais fortes — como mostram os ganhos do dólar canadense e da coroa norueguesa —, mas o dólar americano ainda supera ambas.
Dinâmica do dólar e do petróleo

A combinação de incerteza política sob o governo Trump e da forte alta dos índices de ações dos EUA entre 2023 e 2025 levou investidores estrangeiros a comprar ações americanas enquanto faziam hedge do risco cambial por meio da venda de dólares. Na primavera, a necessidade desse hedge diminuiu. O dólar passou a subir rapidamente, enquanto o S&P 500 recua menos do que seus pares europeus e asiáticos.

Em suma, o dólar dos EUA tem pelo menos quatro trunfos para continuar dominando o mercado Forex — ao menos enquanto o conflito no Oriente Médio persistir. Considerando o interesse do presidente Donald Trump em intensificar os ataques ao Irã, esse cenário pode se prolongar.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD indica a retomada da tendência de baixa e o teste do pivô-chave em 1,1445. A primeira tentativa de rompimento falhou, mas os ursos não recuaram. O primeiro dos dois alvos de baixa previamente estabelecidos, em 1,1450 e 1,1350, já foi alcançado; o segundo permanece no radar. Manter posições vendidas continua sendo a estratégia mais prudente.
