Mesmo em meio à chuva, o sol às vezes aparece. Notícias positivas do setor de tecnologia, o otimismo dos grandes bancos e a passagem de alguns petroleiros pelo Estreito de Ormuz impulsionaram a maior alta diária do S&P 500 desde fevereiro. O presidente Donald Trump afirmou que países estrangeiros estão se mobilizando para ajudar os EUA e instou o Fed a realizar uma reunião de emergência e cortar as taxas de juros imediatamente.
Desempenho diário do S&P 500

A NVIDIA afirmou que pretende gerar US$ 1 trilhão em lucro até 2027, impulsionada por seus chips Blackwell e Rubin. A OpenAI está em negociações com firmas de investimento privadas sobre uma joint venture de US$ 10 bilhões. Essas manchetes foram suficientes para reavivar o interesse em IA e desencadear um rali no setor de tecnologia. Os investidores rapidamente aderiram à ideia de que a IA e um ambiente de crédito mais estável poderiam oferecer proteção contra choques decorrentes da alta dos preços do petróleo.
O Morgan Stanley observou que o S&P 500 tem se mantido relativamente resiliente, apesar do conflito no Oriente Médio, o que permite ao banco manter uma visão construtiva sobre o índice. O Goldman Sachs compartilha de uma visão semelhante, destacando que, historicamente, as ações norte-americanas registram fortes altas após o arrefecimento de choques geopolíticos. Os fundamentos melhoraram, e as perspectivas de lucros corporativos passaram a ser vistas de forma mais positiva, criando condições favoráveis para compras em correções.
Telação Preço/Lucro do S&P 500 P/E ratio

Em contraste, o Bank of America alerta que os investidores estão subestimando a magnitude de um possível desastre. O foco do banco está no risco de alta da inflação, mas, na prática, o pior cenário poderia ser uma recessão global. O RBC Capital Markets afirma que, se o conflito no Oriente Médio durar mais 3 ou 4 semanas, o petróleo poderá superar os picos de 2022. Caso se prolongue por vários meses, os preços do petróleo poderiam ultrapassar a máxima de 2008.
Os investidores continuam a aderir à retórica de Trump sobre a escalada — por exemplo, às alegações de que países estrangeiros estariam se mobilizando para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Na prática, a Alemanha afirmou que não pretende se envolver.

O mesmo se aplica ao apelo do presidente dos EUA a Jerome Powell para cortar as taxas de juros em uma reunião de emergência do FOMC. Os membros do comitê — à exceção, talvez, de Stephen Miran — dificilmente considerarão tal medida. A "tábua de salvação" de Trump não está funcionando, por mais que os touros gostariam que estivesse.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do S&P 500 mostra a formação de um padrão de velas Inside Bar. Isso sustenta a colocação de ordens pendentes de compra em 6.730 e de venda em 6.670. No geral, as probabilidades de continuidade do movimento corretivo são maiores do que as de retomada da tendência de alta.
