O preço do ouro caiu acentuadamente, apesar do ressurgimento das tensões no Oriente Médio ao longo do fim de semana, que reacenderam os riscos inflacionários associados ao choque energético e levantaram dúvidas sobre as negociações de paz.
Mesmo sendo tradicionalmente considerado um ativo de refúgio, o metal precioso recuou, sugerindo que outros fatores — como a valorização do dólar ou a realização de lucros — podem ter prevalecido no curto prazo.

Os preços do ouro caíram 1,9%, antes de recuperarem parcialmente as perdas. Donald Trump afirmou que a Marinha dos EUA abriu fogo e apreendeu um navio cargueiro com bandeira iraniana, enquanto Teerã alertou que embarcações que se aproximassem do Estreito de Ormuz seriam consideradas violadoras do cessar-fogo.
Essa escalada do conflito, em teoria, deveria ter impulsionado os preços do ouro. No entanto, o mercado reagiu de forma diferente, possivelmente refletindo um cenário mais complexo, envolvendo fatores macroeconômicos globais e expectativas quanto aos próximos desdobramentos.
Diversas embarcações foram obrigadas a interromper sua travessia poucas horas após a República Islâmica anunciar a reabertura dessa rota estratégica na sexta-feira.
Esses acontecimentos voltaram a comprometer as perspectivas de negociações de paz em Islamabad antes do término do frágil cessar-fogo de 14 dias, previsto para terça-feira. Trump indicou que ainda vê chances de um acordo, ao mesmo tempo em que reiterou ameaças de destruir usinas de energia e pontes no Irã. Já Teerã declarou que não há perspectivas claras para negociações produtivas.
A incapacidade de alcançar um acordo diplomático duradouro para encerrar a guerra — que já dura oito semanas — deve continuar a alimentar a volatilidade nos mercados.
A queda inicial nos preços do ouro reflete a deterioração do sentimento de risco após os eventos geopolíticos do fim de semana. No entanto, permanecem expectativas de que ambas as partes retornem à mesa de negociações.
Diante da rápida recomposição dos preços, a dinâmica recente sugere um padrão de compra nas quedas, em vez de compras nos topos. Espera-se que o ouro continue oscilando na faixa de US$ 4.700 a US$ 4.900 por onça.

Do ponto de vista técnico, os compradores de ouro precisam retomar a resistência mais próxima, em US$ 4.835. Isso abriria espaço para um avanço até US$ 4.893, nível acima do qual a progressão tende a encontrar maior dificuldade. O alvo mais distante situa-se na região de US$ 4.913.
Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle na faixa de US$ 4.771. Um rompimento desse nível representaria um sinal mais forte de pressão baixista, podendo levar o ouro até US$ 4.708, com potencial extensão até US$ 4.647.
