Os preços do ouro caíram acentuadamente hoje durante o horário de negociação asiático, após uma alta modesta de dois dias, à medida que os operadores passaram a se mostrar seriamente preocupados com o impasse no conflito no Oriente Médio.

O preço à vista do ouro aproximou-se de US$ 4.696 por onça, devolvendo os ganhos registrados anteriormente. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump ironizou a resposta do Irã à proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, afirmando que o frágil cessar-fogo no Estreito de Ormuz está "por um fio" e não sinaliza uma resolução rápida do conflito. Essas declarações contundentes ocorreram em meio às tensões persistentes no Golfo Pérsico, onde o Irã continua exercendo pressão sobre as rotas marítimas internacionais, especialmente no Estreito de Ormuz.
Trump, conhecido por seu estilo de comunicação direto, não perdeu a oportunidade de criticar Teerã, classificando a resposta iraniana como "ridícula" e "nada séria". Ele ressaltou que, apesar das medidas de desescalada propostas pelos EUA, o Irã não demonstra disposição suficiente para alcançar a paz. As declarações do presidente americano ampliaram ainda mais os receios de instabilidade geopolítica na região, afetando diretamente os preços globais da energia.
Para o ouro, esses comentários serviram como gatilho para uma forte correção, reacendendo os temores de alta nos preços da energia e da inflação — fatores que podem levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros, pressionando ainda mais o metal precioso.
Fica evidente que 2026 tem sido um ano extremamente volátil para o metal precioso. No fim de janeiro, o metal atingiu uma máxima histórica, mas posteriormente devolveu parte desses ganhos. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o ouro vem enfrentando dificuldades. Como já mencionado, os elevados preços do petróleo aumentaram as preocupações de que os bancos centrais possam manter ou até elevar os juros para conter os impactos inflacionários. Isso tende a limitar o potencial de valorização do ouro, já que o metal não oferece rendimento.
A dinâmica recente confirma que o ativo deixou de ser negociado apenas como um simples ativo de refúgio e passou a refletir, cada vez mais, os riscos macroeconômicos globais. Seu comportamento vem sendo influenciado pela combinação entre preços do petróleo, inflação, expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve, força do dólar americano e sentimento dos investidores.
Já o preço da prata permaneceu praticamente estável após disparar mais de 7% na segunda-feira, em meio a relatos de uma crise de liquidez na estatal petrolífera do Peru. Vale lembrar que o Peru está entre os maiores produtores mundiais de prata.

Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 4.708. Isso permitirá que busquem o alvo em US$ 4.771, acima do qual será bastante difícil avançar. O próximo alvo estará próximo de US$ 4.835.
No caso de uma queda do ouro, os vendedores tentarão assumir o controle da região de US$ 4.656. Se conseguirem, um rompimento dessa faixa representará um forte golpe para as posições de compras e poderá levar o ouro à mínima de US$ 4.607, com potencial de queda até US$ 4.546.
