"Confiar, mas verificar." A reação moderada do ouro às declarações da Casa Branca sobre uma fase final das negociações entre os Estados Unidos e o Irã reflete o ceticismo dos investidores.
Situações semelhantes já ocorreram antes, quando o presidente Donald Trump anunciou um fim iminente para o conflito no Oriente Médio, mas suas declarações acabaram tendo pouco impacto concreto.
Desta vez, porém, o desfecho pode ser diferente, o que incentiva os compradores do par XAU/USD a voltar a atuar.
A recente liquidação do ouro foi impulsionada principalmente por um cenário externo desfavorável. O dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram depois de os mercados aumentarem as apostas em uma política monetária mais rígida por parte do Federal Reserve, em meio à disparada dos preços do petróleo e ao avanço das expectativas de inflação.
Segundo a Universidade de Michigan, as expectativas de inflação de longo prazo subiram em maio para o nível mais alto em sete meses no horizonte de 5 a 10 anos.
Em teoria, uma queda do Brent após o fim do conflito no Oriente Médio reduziria a inflação, levaria o Fed a manter os juros estáveis e, posteriormente, a flexibilizar a política monetária, além de pressionar para baixo os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. Na prática, porém, o resultado pode ser diferente.
Dinâmica dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA

A dívida pública dos Estados Unidos está crescendo rapidamente à medida que o presidente Donald Trump avança com cortes de impostos.
A deterioração dos indicadores fiscais e as medidas de estímulo devem aumentar a emissão de títulos do Tesouro, levando os investidores a exigir um prêmio de risco mais elevado. Como consequência, os rendimentos dos títulos continuam subindo.
Também não é certo que o dólar americano sofrerá uma queda acentuada. O Brent certamente deverá recuar, mas não na velocidade desejada pela Casa Branca.
Os países do Golfo precisarão reparar infraestruturas danificadas, enquanto outros consumidores terão de recompor estoques fortemente reduzidos. De forma geral, o mercado acredita que os níveis de referência do petróleo do Mar do Norte dificilmente serão restaurados antes do fim de 2026.
Consequentemente, existe o risco de que a inflação nos EUA permaneça elevada por mais tempo. Isso poderá forçar a Reserva Federal (Fed) a ajustar sua comunicação.
Até agora, o banco central vinha sinalizando a flexibilização monetária como próximo passo. No entanto, o diretor do Fed Christopher Waller contestou essa visão, argumentando que a comunicação da instituição deveria incluir tanto a possibilidade de cortes quanto de altas de juros, dependendo da evolução do cenário econômico.

Assim, o destino do XAU/USD continua a depender do conflito no Oriente Médio. Se as garantias do Sr. Trump sobre uma rápida resolução se revelarem mais uma vez infundadas, o ouro poderá retomar sua queda. Por outro lado, um acordo diplomático deslocaria o foco do mercado para o ritmo de queda dos preços do petróleo e das expectativas de inflação e, a partir daí, para as futuras decisões do Fed, o comportamento do dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o XAU/USD mostra os compradores preparando-se para testar a resistência dinâmica representada pelas médias móveis. Um rompimento bem-sucedido completaria a correção dentro da tendência de alta e abriria espaço para oportunidades de compra com alvos em US$ 4.695 e US$ 4.990 por onça.
