
Tanto compradores quanto vendedores permanecem cautelosos em meio às negociações em andamento entre os Estados Unidos e o Irã. Por um lado, os negociadores ainda não conseguiram chegar a um acordo, apesar de uma série de vazamentos encorajadores. Por outro, o presidente Donald Trump continua a demonstrar otimismo em relação ao processo diplomático. Hoje, ele afirmou que o Irã realmente deseja um acordo.
O fator geopolítico continua sendo o principal impulsionador do EUR/USD. Se a situação permanecer indefinida, o par provavelmente continuará oscilando na faixa entre 1,1610 e 1,1680. Um avanço diplomático elevaria significativamente a demanda por ativos de risco e permitiria que os compradores consolidassem posições na região de 1,17. Caso as negociações entrem em impasse e os Estados Unidos retomem as ações militares, o par provavelmente testará o suporte em 1,1560 (a linha inferior das Bandas de Bollinger no gráfico diário).
Neste momento, um cenário de escalada parece ser o desfecho menos provável. O consenso do mercado é de que as partes chegarão, mais cedo ou mais tarde, a um acordo que ponha fim ao conflito e restabeleça o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Dessa forma, os traders continuam, na prática, descontando as notícias negativas e mantendo uma postura cautelosamente otimista, o que oferece suporte ao EUR/USD.
Os dados macroeconômicos passaram para segundo plano, mas apenas temporariamente. A reunião de junho do Federal Reserve, presidido por Kevin Warsh, ocorrerá dentro de duas semanas e, se Washington e Teerã finalizarem um memorando de entendimento que abra caminho para um acordo mais abrangente, a atenção do mercado voltará rapidamente para os principais indicadores econômicos. Por isso, as próximas divulgações não devem ser ignoradas, já que sua influência poderá ser sentida no curto prazo.
Durante a sessão norte-americana de segunda-feira, será divulgado o índice ISM Industrial de maio. Trata-se do primeiro indicador de grande relevância da semana, pois reflete a evolução das novas encomendas, do emprego e da dinâmica dos preços no setor manufatureiro. Desde o início do ano, o índice tem permanecido em território expansionista, acima da linha de 50 pontos (52,6 em janeiro, 52,4 em fevereiro e 52,7 em março e abril), mantendo-se próximo dos níveis mais elevados desde 2024.
Esse desempenho tem sido sustentado pela resiliência da demanda interna — o subíndice de novos pedidos permanece consistentemente acima da faixa de 53 a 54 pontos —, pelo aumento dos investimentos em tecnologia e infraestrutura, incluindo defesa, centros de dados e inteligência artificial, além das disrupções nas cadeias de abastecimento, que incentivaram empresas norte-americanas a transferir parte dos pedidos para o mercado doméstico.
A maioria dos analistas espera que o ISM Industrial registre um novo máximo de vários meses em maio, em torno de 53,3 pontos. Mesmo um resultado em linha com o consenso seria suficiente para oferecer suporte relevante ao dólar norte-americano.
Na terça-feira, será divulgado o relatório JOLTS, considerado um importante indicador das condições do mercado de trabalho norte-americano. O consenso aponta para uma queda moderada no número de vagas de emprego, de 6,86 milhões em março para 6,79 milhões. Para o Fed, a combinação entre vagas, contratações e demissões é particularmente relevante. Se as vagas diminuírem rapidamente enquanto as contratações permanecerem fracas, o dólar poderá ficar sob pressão, à medida que os membros mais dovish ganhem influência. Por outro lado, se o JOLTS mostrar apenas uma queda moderada nas vagas acompanhada de baixos níveis de demissões, o dólar deverá permanecer resiliente, apesar do enfraquecimento gradual do mercado de trabalho.
Também na terça-feira serão divulgados os dados preliminares da inflação da Zona Euro referentes a maio. O consenso prevê que a inflação anual medida pelo IPC acelere para 3,4%, ante 3,0% no mês anterior, enquanto a inflação subjacente deverá permanecer relativamente estável em torno de 2,3%, após ter recuado para 2,2% em abril. Um resultado acima das expectativas reforçaria as especulações sobre um aumento das taxas de juros pelo BCE em junho. No entanto, o banco central continua limitado pela desaceleração do crescimento econômico, o que significa que qualquer surpresa positiva poderá gerar apenas uma valorização temporária do euro antes de os mercados voltarem a concentrar a atenção nos dados norte-americanos, uma vez que a divergência monetária de longo prazo continua a favorecer o dólar.
Na quarta-feira, será divulgado o índice ISM de Serviços dos Estados Unidos. Trata-se de um indicador particularmente importante para o EUR/USD, já que o setor de serviços representa mais de 70% da economia norte-americana e reflete diretamente a resiliência da demanda interna. O índice permanece em território expansionista desde junho do ano passado, embora tenha mostrado alguma desaceleração nos últimos dois meses, recuando para 53,6 em abril. A maioria dos analistas espera uma ligeira alta para 53,8 em maio.
Os investidores estarão especialmente atentos aos componentes estruturais do relatório, sobretudo os subíndices de novos pedidos e emprego. A manutenção de níveis robustos nesses indicadores seria interpretada como um fator de apoio à postura firme do Fed. Já o subíndice de preços pagos, que atingiu em abril o nível mais elevado dos últimos quatro anos, aos 70,7 pontos, poderá gerar volatilidade adicional caso volte a acelerar.
Ainda na quarta-feira, será divulgado o relatório da ADP. Embora a correlação com os dados oficiais de emprego divulgados na sexta-feira não seja perfeita, o indicador continua a ser considerado uma referência importante para antecipar a evolução do mercado de trabalho. O consenso prevê a criação de cerca de 116 mil empregos no setor privado, um resultado compatível com a narrativa do Fed de um mercado de trabalho estável, mas sem sinais de sobreaquecimento. O relatório só deverá exercer pressão significativa sobre o dólar caso o número fique claramente abaixo da marca dos 100 mil postos de trabalho.
Por fim, na sexta-feira, serão divulgados os dados do mercado de trabalho norte-americano referentes a maio, incluindo o relatório de empregos não agrícolas (NFP), sem dúvida o indicador mais importante da semana para os traders de EUR/USD. O consenso do mercado aponta para a criação de apenas 95 mil empregos no setor não agrícola, enquanto a taxa de desemprego deverá permanecer em 4,3%. Um resultado significativamente diferente das expectativas poderá desencadear um aumento da volatilidade no EUR/USD. Se o NFP vier em linha com as previsões ou abaixo delas, reforçando os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho dos Estados Unidos, o dólar poderá sofrer pressão adicional, favorecendo uma valorização do par. Por outro lado, uma surpresa positiva expressiva — com criação de 120 mil empregos ou mais — daria suporte significativo ao dólar, uma vez que as expectativas do mercado permanecem relativamente moderadas.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário (D1), o EUR/USD continua a ser negociado dentro da nuvem Ichimoku Kumo, entre as bandas média e inferior de Bollinger e entre as linhas Tenkan-sen e Kijun-sen. Esse conjunto de sinais aponta para um cenário de incerteza persistente.
Assim, o par deverá continuar a testar os limites da faixa entre 1,1610 e 1,1680 — correspondentes às bandas inferior e superior de Bollinger no gráfico de quatro horas (H4) — até que surjam sinais mais claros sobre o rumo das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Enquanto isso, é provável que os participantes do mercado utilizem os indicadores macroeconômicos mencionados acima como catalisadores para movimentos dentro desse intervalo de preços.
