Ontem, o petróleo retomou a trajetória de queda, renovando mínimas após registrar o pior trimestre desde 2020. O contrato de setembro do Brent recuou para abaixo de US$ 71 por barril, acumulando perdas superiores a 3% nas duas sessões anteriores, enquanto o WTI é negociado em torno de US$ 68. Dois fatores continuam a pressionar os preços: o aumento dos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz e os avanços nas negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.

A escala da recuperação da oferta é impressionante e enfraquece o principal trunfo de Teerã. Segundo relatos, o fluxo de petróleo através do estreito já ultrapassou 10 milhões de barris por dia, evidenciando claramente a limitada capacidade do Irã de interromper o tráfego marítimo.
Mesmo após a troca de ataques ocorrida no último fim de semana, os fluxos pelo estreito não foram interrompidos, e as exportações dos Emirados Árabes Unidos retornaram aos níveis pré-guerra graças a rotas alternativas. Trata-se de uma mudança fundamental. O mercado está convencido de que o Irã não tem capacidade prática para fechar o estreito, o que significa que o prêmio de risco geopolítico continua a se dissipar. Notavelmente, os principais tipos de petróleo dos Estados Unidos recuaram e estão sendo negociados com desconto, refletindo uma demanda mais fraca pelo petróleo americano.
No entanto, ainda é cedo para descartar completamente os fatores geopolíticos. É improvável que a Guarda Revolucionária Islâmica abra mão voluntariamente de sua influência sobre o estreito, já que sua principal alavanca de poder é a capacidade de pressionar a economia global. Em outras palavras, para Teerã, o controle do estreito é menos um instrumento econômico do que uma ferramenta política, e não há qualquer pressa em renunciar voluntariamente a essa influência.

No que diz respeito ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam reconquistar a resistência mais próxima, em US$ 71,25. Isso lhes permitirá ter como meta US$ 76,30, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante ficará em torno de US$ 81,38. Caso ocorra uma queda no petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle da marca de US$ 67,77. Se forem bem-sucedidos, uma quebra dessa faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e empurrará o petróleo para uma mínima de US$ 59,96, com a perspectiva de atingir US$ 51,99.
