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FX.co ★ AUD/USD. Revés para o dólar australiano: por que a moeda cai apesar da fraqueza do dólar americano

AUD/USD. Revés para o dólar australiano: por que a moeda cai apesar da fraqueza do dólar americano

Na quarta-feira o par AUD/USDregistrou a menor cotação em duas semanas, recuando em direção ao nível de 0,69. Os vendedores do AUD/USD testaram o nível de suporte em 0,6950 (a linha inferior das Bandas de Bollinger no gráfico 4H) e tentaram se estabelecer abaixo desse nível.

AUD/USD. Revés para o dólar australiano: por que a moeda cai apesar da fraqueza do dólar americano

Vale destacar que o par vem apresentando uma tendência de baixa em meio ao enfraquecimento geral do dólar americano. Apesar de mais uma rodada de escalada no Oriente Médio, o dólar — ativo de refúgio — não se beneficiou. Os participantes do mercado acreditam que a atual rodada de tensão entre os EUA e o Irã é limitada e acabará com ambas as partes voltando às negociações. Conclusões desse tipo não são favoráveis à moeda americana.

No entanto, o par AUD/USD caiu na quarta‑feira apesar da fraqueza do dólar. Isso indica que o dólar australiano foi o principal motor por trás queda, sofrendo considerável pressão em razão dos relatórios de inflação.

Os dados do CPI (inflação) divulgados na quarta‑feira para a Austrália vieram claramente piores do que as expectativas do mercado, sinalizando que o processo de desinflação do país ganha ritmo gradualmente. Isso vale tanto para o indicador mensal do CPI quanto para o relatório trimestral, que tem importância muito maior para o Reserve Bank of Australia ao tomar decisões monetárias.

No relatório mensal, a taxa anual do CPI em junho desacelerou para 3,8%, ante 4,0% no mês anterior. A maioria dos analistas havia projetado que o indicador permaneceria estagnado no nível de maio. Vale também notar que esse indicador vem recuando pelo terceiro mês consecutivo, após atingir pico de 4,6% em março. Além disso, o índice de preços ao consumidor na base mensal entrou em território negativo pelo segundo mês seguido: após uma queda de 0,7% em maio, recuou 0,1% em junho (previsão de crescimento: 0,2%). O principal fator por trás da desaceleração do CPI mensal foi a queda nos preços dos combustíveis, que compensou a alta contínua dos custos de habitação e serviços públicos.

Um fator ainda mais importante para o aussie foi o relatório de inflação do segundo trimestre, já que o RBA se apoia nesses números para avaliar a sustentabilidade da dinâmica inflacionária. O CPI global cresceu apenas 0,6% no trimestre contra trimestre, ante uma alta de 1,4% no trimestre anterior. O consenso apontava 0,8%. Em termos anuais, a inflação trimestral também desacelerou para 3,9% (previsão: 4,1%). Notavelmente, trata‑se da primeira desaceleração após três trimestres consecutivos de avanço, indicando que o pico da aceleração dos preços provavelmente já foi ultrapassado.

O núcleo da inflação (Trimmed Mean) é uma das principais medidas acompanhadas para futuras decisçeos do RBA. Esse indicador é utilizado pelo regulador como referência principal para avaliar a pressão de preços e determinar a trajetória da política monetária. O índice núcleo subiu 0,8%, ante previsão de alta de 0,9%. A leitura anual foi de 3,6%, enquanto a maioria dos analistas esperava aceleração para 3,7% (algumas estimativas sugeriam alta para 3,8%).

No entanto, não se pode afirmar que o problema inflacionário da Austrália esteja totalmente resolvido. O setor de habitação (custos de construção de novas casas, preços de aluguéis) e o setor de serviços (+4,0% em termos anuais) continuam sendo as fontes mais resistentes de crescimento de preços. Ainda assim, a natureza da inflação está mudando: enquanto há alguns meses o crescimento de preços era amplo, agora concentra‑se principalmente em componentes internos e menos voláteis da economia, com a influência de fatores externos tendendo a enfraquecer.

A estrutura do relatório também indica que o crescimento anual dos preços na categoria Transportes caiu para 0,1% (ante os 3,3% registados em maio), principalmente devido à redução dos custos dos combustíveis para veículos (queda de 10,9% no mês). A inflação dos bens recuou para o nível mais baixo dos últimos quatro meses (3,5%). O crescimento dos preços no setor da saúde também desacelerou (para 3,7%), assim como no setor de vestuário e calçado (4,9%).

Em reação à divulgação dos dados, o mercado revisou as suas expectativas em relação aos próximos passos do RBA. Após os relatórios, a probabilidade de uma alta dos juros no curto prazo caiu praticamente para zero, uma vez que os dados publicados convenceram os traders de que o atual nível da taxa de juros já está produzindo o efeito de "arrefecimento" necessário sobre a economia, permitindo que a inflação retorne gradualmente ao intervalo da meta.

Além disso, parece que o mercado começará a reavaliar, de forma cautelosa, as perspectivas para a política monetária do RBA, passando gradualmente a incorporar nos preços a possibilidade do primeiro corte dos juros nos próximos trimestres, caso os próximos dados sobre o mercado de trabalho e a inflação confirmem a tendência atual.

O atual contexto fundamental permitiu aos vendedores do par AUD/USD testar o nível de suporte em 0,6950 (a banda inferior das Bandas de Bollinger no gráfico de quatro horas). No entanto, apesar do impulso baixista, os vendedores não conseguiram consolidar o preço abaixo desse nível. Por isso, abrir posições de venda neste momento é arriscado: a ausência de um rompimento convincente abaixo de 0,6950 alerta para o risco de uma recuperação corretiva. Apenas uma consolidação abaixo desse nível sinalizaria a continuação da queda em direção à região de 0,6900 (a banda inferior das Bandas de Bollinger no gráfico diário – D1).

*The market analysis posted here is meant to increase your awareness, but not to give instructions to make a trade
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