Hoje, o ouro subiu 1%, para US$ 4.287,95, tendo registrado brevemente um ganho de 1,3% e testado a marca de US$ 4.300. Isso dá continuidade ao maior aumento em seis meses, após um salto de 4,1% na sessão anterior. A prata subiu 0,2%, para US$ 62,19, depois de ter disparado mais de 4% no dia anterior. A platina e o paládio também registraram alta nos preços, enquanto o índice do dólar caiu 0,1%.

O gatilho para a alta foi o surgimento de sinais de progresso nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz, reduzindo a pressão exercida pelo setor de energia sobre o Federal Reserve em favor de novas altas dos juros. O Irã anunciou um acordo com Omã sobre uma proposta de rota de navegação pelo estreito, aumentando a probabilidade de retomada de parte do fluxo de energia por essa importante via marítima. Como resultado, os preços do petróleo recuaram.
No entanto, o próprio Irã rapidamente moderou o excesso de otimismo do mercado. O vice-ministro das Relações Exteriores do país, Kazem Gharibabadi, afirmou à imprensa iraniana que a rota será temporária e permanecerá em vigor por "dois a quatro meses", acrescentando que "esse acordo não significa a reabertura completa" do estreito.
O presidente Donald Trump confirmou que as negociações com o Irã continuam em andamento, afirmando que "verá o que acontece" e que prefere chegar a um acordo com a República Islâmica a encerrar o conflito por meio de uma solução militar. Anteriormente, ele havia indicado que um acordo poderia ser alcançado já na quarta-feira, no horário dos Estados Unidos.
Uma consequência prática desses sinais de desescalada foi a forte redução das expectativas do mercado em relação aos juros do Fed. Agora, os investidores precificam integralmente apenas uma alta de juros até o fim do ano, contra duas esperadas ainda na semana passada. Uma política monetária menos agressiva tende a favorecer ativos que não oferecem rendimento, como o ouro. Vale lembrar que a magnitude da queda anterior do metal continua sendo um importante fator de contexto para a recuperação atual. Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, o ouro acumulou uma queda de quase 20%, pressionado pela forte alta dos preços da energia e pelo aumento das pressões inflacionárias.
Apesar da redução das expectativas do mercado, o cenário monetário continua ambíguo. Na quarta-feira, a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, reiterou que está disposta a elevar os juros caso a inflação deixe de apresentar sinais consistentes de desaceleração, alertando que o banco central pode não ter o luxo de esperar até que a inflação retorne à meta de 2%. A presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, fez um alerta semelhante.

Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima, em US$ 4.304. Isso abrirá espaço para um avanço em direção aos US$ 4.372, nível cujo rompimento deverá ser bastante difícil. O alvo mais distante está na região de US$ 4.432.
Caso o ouro recue, os vendedores tentarão assumir o controle da região de US$ 4.249. Se conseguirem romper esse nível, isso representará um duro golpe para a posição dos compradores e poderá levar o ouro até a mínima de US$ 4.186, com possibilidade de extensão da queda em direção aos US$ 4.124.
