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FX.co ★ Dólar americano: atuando em duas frentes

Dólar americano: atuando em duas frentes

O mercado de trabalho dos EUA trouxe uma surpresa. O relatório divulgado em 7 de agosto mostrou uma perda de 23 mil empregos, ante as previsões de criação de 80 mil a 88 mil vagas, enquanto os dados de maio e junho foram revisados para baixo em um total de 103 mil empregos. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, mas apenas porque pessoas deixaram a força de trabalho — a taxa de participação recuou para 61,4%.

A probabilidade de uma alta dos juros pelo Fed em setembro despencou de 55% para 44%, e os rendimentos dos Treasuries de dois anos caíram 8 pontos-base. Os Treasuries tiveram uma forte alta, enquanto o índice do dólar recuou.

O relatório da CFTC divulgado na sexta-feira refletiu uma rápida mudança no posicionamento especulativo: a posição líquida comprada agregada em dólar foi reduzida em US$ 12,5 bilhões na semana de referência, para US$ 35,9 bilhões — a maior redução semanal em quase dois anos. A redução ocorreu principalmente por meio do iene japonês: após a intervenção cambial, os especuladores reduziram suas posições vendidas em JPY em 117.939 contratos, o equivalente a cerca de US$ 9,4 bilhões.

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Esses são dois fatores fortemente baixistas para o dólar, mas sua reação tem sido relativamente contida. A razão é a geopolítica.

O conflito em torno do Estreito de Ormuz não é um problema "nuclear" — essa classificação é apenas um pretexto. Os verdadeiros objetivos dos EUA estão relacionados ao controle dos fluxos globais de energia.

Na semana passada, o Parlamento iraniano aprovou uma lei que proíbe a passagem de navios americanos e israelenses pelo Estreito de Ormuz, e Teerã apresentou a Washington um ultimato de cinco pontos: indenização pelos danos causados pela guerra, fim das ameaças e da agressão, levantamento das sanções e de qualquer bloqueio naval e desbloqueio dos ativos congelados. O acordo de Omã sobre novas rotas marítimas está próximo de ser concluído, mas os líderes iranianos deixam claro que "esse acordo, por si só, não é suficiente".

Os mercados estão gradualmente perdendo a confiança em uma "paz rápida". O Brent subiu para US$ 84,46, e o dólar continua sendo um vencedor em praticamente qualquer cenário.

Cenário A: os EUA fazem o Irã ceder. Washington garante o controle sobre o Estreito de Ormuz, obtém a capacidade de regular os fluxos globais de energia e consolida sua hegemonia geopolítica na região. Isso fortaleceria a posição dos EUA no cenário global, aumentaria a confiança no dólar como moeda de reserva e atrairia capital para os ativos americanos.

Cenário B: escalada e bloqueio. Se não houver um acordo, os EUA continuarão bloqueando as exportações iranianas e provocando uma alta dos preços do petróleo. Isso causaria graves danos econômicos à Europa, ao Japão e a outros países importadores de energia. O dólar se fortaleceria como moeda de proteção e também porque a economia americana seria relativamente menos dependente das importações de petróleo do que as de seus concorrentes.

Os EUA têm margem para manobra. O país poderia atravessar sua própria crise econômica sem que isso provocasse um colapso do dólar — simplesmente porque outros países poderiam estar em uma situação ainda pior.

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O cenário técnico para o índice do dólar permanece ambíguo. O índice recuou mais de 2,3% em relação às máximas do ano e rompeu a tendência de alta iniciada em maio. O enfraquecimento do mercado de trabalho praticamente descarta a possibilidade de um aperto monetário imediato pelo Fed, o que limita o potencial de alta do dólar. No entanto, a incerteza geopolítica e os preços elevados do petróleo sustentam a demanda por ativos de proteção. É provável que o índice seja negociado próximo aos níveis atuais enquanto os mercados aguardam novos dados de inflação e sinais do cenário geopolítico.

Se as tensões geopolíticas se intensificarem e as expectativas de inflação voltarem a subir, os mercados poderão reavaliar a probabilidade de uma alta dos juros pelo Fed — um cenário favorável ao dólar. A alternativa baixista — redução dos riscos geopolíticos e dados de inflação abaixo do esperado — eliminaria ambos os fatores de sustentação do dólar, mas esse resultado parece atualmente menos provável do que o cenário de alta.

Conclusão: o dólar americano permanece em uma zona de incerteza. Os dados fracos do mercado de trabalho e a menor probabilidade de uma alta dos juros exercem pressão baixista, mas o fator geopolítico continua sustentando o USD. Considerando que o conflito com o Irã favorece o dólar em praticamente qualquer cenário e que os indicadores técnicos apontam para uma negociação dentro de uma faixa, o cenário mais provável é de consolidação próxima dos níveis atuais, acompanhada por picos de volatilidade no curto prazo.

*The market analysis posted here is meant to increase your awareness, but not to give instructions to make a trade
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