Hoje, o Brent se aproximou da marca de US$ 88 por barril, mantendo uma alta de quatro dias após um aumento de 5% na sessão anterior, enquanto o WTI ultrapassou os US$ 82. A causa foi um endurecimento acentuado da posição de Washington: ontem, o presidente Trump apresentou novas e amplas exigências ao Irã, o que complicou seriamente as perspectivas de um acordo para retomar as operações no Estreito de Ormuz e restaurar os fluxos globais de energia.

O líder americano exigiu que o Irã pague indenizações pelas pessoas mortas nos conflitos, depois que Teerã voltou a solicitar reparações nas negociações para pôr fim à guerra. Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que apresentará novas exigências em todas as futuras negociações, praticamente descartando um acordo imediato entre as partes. As exigências incluem indenizações pelas mortes e pelos ferimentos resultantes das ações do Irã, bem como pelos danos e pelas perdas de vidas no Líbano, na Síria, no Iêmen e em Gaza.
A posição de Trump contradiz acordos firmados anteriormente. Na segunda-feira, ele afirmou que indenizações ao Irã nunca haviam sido mencionadas em nenhuma das negociações ou reuniões. No entanto, o memorando de entendimento acordado em junho e assinado por Teerã e Washington prevê planos dos EUA e de parceiros regionais para estabelecer um fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução e ao desenvolvimento econômico do Irã após a guerra. Essa discrepância entre a retórica atual e o conteúdo do documento assinado complica a posição nas negociações.
A situação real do transporte marítimo confirma a gravidade do cenário. Aproximadamente cinco embarcações atravessam diariamente o Estreito, número significativamente inferior às cerca de 14 embarcações por dia registradas após a assinatura do memorando, em junho. Antes da guerra, aproximadamente um quinto do volume mundial de petróleo e gás natural liquefeito era transportado por essa via marítima para os mercados globais.
Considerando que o Estreito permanece fechado, os estoques globais caíram acentuadamente e os fluxos estão longe dos níveis normais, é provável que vejamos novamente um forte fechamento de posições vendidas em breve. Nesse contexto, o Brent poderá subir entre US$ 10 e US$ 15 a partir dos níveis atuais.
Enquanto isso, o impasse nas negociações continua em ambas as frentes. Irã e Omã continuam discutindo um acordo para retomar as operações no Estreito; no entanto, Teerã reiterou na segunda-feira que qualquer acordo exigiria que os EUA suspendessem o bloqueio e oferecessem indenização pelos danos.

No que diz respeito ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 83,50. Isso lhes permitirá ter como meta US$ 86,60, nível acima do qual será bastante difícil romper. O objetivo mais distante ficará em torno de US$ 89,56. Caso haja uma queda nos preços do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle na marca de US$ 81,10. Se forem bem-sucedidos, romper essa faixa representará um duro golpe para as posições de alta e empurrará o petróleo para uma mínima de US$ 78,70, com a perspectiva de atingir US$ 76,30.
