Na segunda-feira, a libra frente ao dólar atingiu uma máxima de três meses, em 1,3570. Esse movimento não se deve apenas ao enfraquecimento geral do dólar, mas também ao fortalecimento da moeda britânica. Após algumas oscilações, o mercado interpretou os dados de crescimento do PIB do Reino Unido divulgados na semana passada de forma favorável à libra, fortalecendo, assim, as posições dos compradores de GBP/USD.
A divulgação foi contraditória, embora, no conjunto, tenha sido suficientemente favorável à libra. Foi informado que a economia do Reino Unido cresceu 0,4% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior, após um crescimento de 0,6% no primeiro trimestre. A taxa de crescimento anual do PIB acelerou para 1,2%.

O principal motor do crescimento continua a ser o setor de serviços, que cresceu 0,5% no trimestre. Houve contribuições significativas dos serviços de informação e comunicação, bem como das atividades profissionais e científicas. Notavelmente, quase metade do aumento trimestral do PIB foi atribuída ao setor de informação e comunicação. Isso indica que a economia britânica é apoiada não apenas pela demanda tradicional do consumidor, mas também pelo segmento de tecnologia.
Também merece atenção a estrutura da demanda. Os gastos do consumidor aumentaram 0,3%, enquanto os investimentos empresariais cresceram 1,7%. O setor privado impulsionou em grande parte o crescimento, ao passo que o consumo governamental diminuiu 0,3%. O PIB real per capita cresceu 0,4% no trimestre e 1,0% em termos anuais, sinalizando alguma melhoria na dinâmica econômica real.
No mesmo dia, foram divulgados os dados de crescimento do PIB do Reino Unido referentes a junho. Após uma performance estável em maio, a economia cresceu inesperadamente 0,3% (enquanto a maior parte dos analistas havia previsto resultado estável). Contudo, essa dinâmica foi em parte atribuída a fatores temporários, com o aumento da atividade do consumidor durante a Copa do Mundo contribuindo para os números.
Entre os pontos fracos da divulgação estão a desaceleração efetiva em relação ao primeiro trimestre e a estrutura muito desigual do crescimento. O setor manufatureiro registrou crescimento zero no segundo trimestre, enquanto a construção adicionou apenas 0,3%. Além disso, a queda do consumo público e os problemas persistentes na indústria indicam ausência de uma aceleração econômica generalizada.
Ainda assim, os traders do par GBP/USD interpretaram o relatório a favor da libra, pois ele confirmou efetivamente a resiliência da economia do Reino Unido e reduziu os argumentos em favor de um afrouxamento mais rápido da política do Banco da Inglaterra.
Nesse contexto, as próximas divulgações macroeconômicas assumem uma importância especial para a libra. Dados fortes fortalecerão a moeda britânica, pois reduzirão as expectativas de novos afrouxamentos da política monetária — pelo menos no contexto da próxima reunião do banco central. Por outro lado, dados fracos recolocarão em pauta o cenário "dovish" para o banco central inglês.
Assim, na terça-feira, 18 de agosto, serão divulgados no Reino Unido os principais dados do mercado de trabalho. A previsão de consenso indica que a taxa de desemprego permanecerá em 4,9%, enquanto o crescimento médio dos salários deverá ficar em 4,5% na comparação anual (após uma queda para 4,3% no mês anterior). Esse componente é particularmente interessante para os traders, pois um crescimento salarial sustentado indica uma pressão inflacionária interna persistente. Se o indicador de salários ficar em linha com a previsão — quanto mais entrar na "zona verde" —, a libra receberá um suporte significativo, mesmo que os demais componentes da divulgação decepcionem.
No dia seguinte, quarta-feira, serão divulgados no Reino Unido os principais dados sobre a inflação. Em junho, o índice geral de preços ao consumidor caiu para 2,6% na comparação anual, atingindo a mínima do ano. No entanto, espera-se que o CPI geral suba para 3,0% em julho (outras estimativas apontam para uma alta para 2,9%). O índice de núcleo deve permanecer no nível de junho, ou seja, em 2,6%. Vale observar que o BoE já alertou para uma provável aceleração da inflação no segundo semestre; segundo sua previsão, o CPI pode subir para cerca de 3,2% na comparação anual no quarto trimestre, devido ao efeito defasado da alta dos preços da energia. Portanto, um resultado de julho acima do consenso seria um argumento adicional — e bastante forte — a favor da libra, pois confirmaria a persistência das pressões inflacionárias.
Por fim, na sexta-feira, 21 de agosto, serão divulgados os dados de vendas no varejo do Reino Unido. Após uma alta mensal de 1,0% em junho, espera-se uma queda corretiva de 0,4% em julho. Um resultado mais fraco poderia pressionar a libra, pois colocaria em dúvida a resiliência da demanda dos consumidores. No entanto, se o indicador permanecer acima de zero, a libra estará "com tudo a seu favor": uma dinâmica forte das vendas confirmará a resiliência da economia, especialmente diante dos dados positivos do PIB.
Assim, apesar da alta consistente do GBP/USD, a libra encontra-se atualmente em uma encruzilhada. Se o cenário mais otimista se concretizar (salários acima de 4,5%, CPI em 3,0% e vendas no varejo "não negativas"), o par poderá testar o nível de resistência mais próximo, em 1,3600 (a linha superior do indicador de Bandas de Bollinger no gráfico diário). O quadro técnico sinaliza prioridade para esse cenário, pois o preço no gráfico D1 está entre as linhas central e superior das Bandas de Bollinger e acima de todas as linhas do indicador Ichimoku, formando um sinal de alta de "Parade of Lines".
Por outro lado, dados fracos poderiam exercer uma pressão significativa sobre o GBP/USD, reforçando as expectativas "dovish" em relação às próximas decisões do BoE. Nesse caso, o par provavelmente retornaria à base da 35ª figura, até o nível de suporte de 1,3500, onde a linha Tenkan-sen no gráfico D1 se encontra.
