No final da semana, o Brent está sendo negociado acima de US$ 93 por barril, caminhando para uma alta de cerca de 6%, enquanto o WTI com entrega em outubro permanece em torno de US$ 86, após cinco sessões consecutivas de valorização. Desde o início do ano, o petróleo acumula alta superior a 50%, à medida que o conflito entre os EUA e o Irã mergulhou o Oriente Médio no caos, com ambos os lados continuando sua disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

A alta atual é impulsionada pelos preparativos de Washington para uma campanha de isolamento econômico contra o Irã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo apresentará os detalhes da iniciativa na segunda-feira, depois que o presidente Trump chamou essa medida de "Dia D econômico". As medidas serão direcionadas a Teerã e poderão afetar países que mantêm relações comerciais com o Irã, potencialmente incluindo a China.
O fator chinês continua sendo a principal vulnerabilidade de toda essa iniciativa. Pequim, maior importador de petróleo iraniano, afirmou que sanções e pressões não funcionarão e pediu uma solução diplomática. Bessent observou em seus comentários que a China recebe uma parcela significativa de seus suprimentos de energia da região, acrescentando que o país se beneficiaria muito ao aderir ao programa.
Está claro que Pequim aposta na necessidade de Trump apenas de demonstrar uma forte pressão econômica, sem chegar ao ponto de realmente sufocar os bancos chineses. No entanto, a possibilidade de impor sanções adicionais ao Irã com o objetivo de enfraquecer sua economia traz certo grau de risco também para os próprios Estados Unidos.
Vale destacar que as medidas existentes já se mostraram bastante eficazes. Washington impôs um bloqueio naval aos portos iranianos com o objetivo de interromper as exportações de petróleo, e esse cerco parece ter funcionado. No entanto, as consequências mais dolorosas para os consumidores não se manifestaram no próprio petróleo, mas nos derivados de petróleo. Nos EUA, os preços médios de varejo do óleo diesel dispararam nesta semana para quase US$ 5,55 por galão, o nível mais alto desde o final de maio, enquanto a margem de refino do petróleo para a produção de diesel ultrapassou recentemente US$ 100 por barril, atingindo um recorde histórico.
Além disso, o novo enfraquecimento do dólar americano deu suporte adicional às commodities denominadas na moeda americana. Na sexta-feira, o índice do dólar caminhava para seu nível mais baixo desde maio deste ano. Assim, o petróleo está subindo por três canais: risco geopolítico, escassez efetiva de derivados de petróleo e fatores cambiais. A divulgação dos detalhes do plano americano na segunda-feira mostrará se Washington imporá sanções secundárias contra compradores chineses, e isso determinará se a atual alta representa o início de uma nova fase ou apenas mais um episódio de um impasse prolongado.

Quanto ao cenário técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 86,60. Isso permitirá buscar US$ 89,60, acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante estará em torno de US$ 92,56.
Em caso de queda dos preços do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 84,40. Se conseguirem, um rompimento dessa faixa representará um duro golpe para as posições compradas e levará o petróleo a uma mínima de US$ 81,50, com possibilidade de alcançar US$ 78,70.
