logo

FX.co ★ A revolta do ouro: o metal precioso abandona as antigas regras devido a fatores geopolíticos e às estratégias dos bancos centrais

A revolta do ouro: o metal precioso abandona as antigas regras devido a fatores geopolíticos e às estratégias dos bancos centrais

A revolta do ouro: o metal precioso abandona as antigas regras devido a fatores geopolíticos e às estratégias dos bancos centrais

Ontem mesmo, a alta das taxas estava pressionando os preços do ouro. Hoje, o metal mais que dobrou de valor, desafiando a lógica dos livros-texto. Vamos ver quem se tornou o novo senhor do metal amarelo e por que o dólar americano terá de ceder terreno para que o movimento altista continue.

O ouro deixou de seguir o antigo manual da macroeconomia. O que era considerado um axioma imutável há poucos anos está desmoronando diante dos nossos olhos. A relação do metal com os principais vetores de mercado está mudando radicalmente e, para que o atual mercado altista do ouro não perca força, é provável que o dólar precise enfraquecer ainda mais. Mas o que, exatamente, quebrou mecanismos de mercado estabelecidos há séculos?

O fim da era da "gangorra"

Investir costumava ser mais simples: o ouro e as taxas de juros reais (e o dólar) comportavam-se como numa gangorra. Quando as taxas caíam, o metal subia. Um exemplo vívido: quando as taxas estavam em zero no final de 2019 e caíram para território negativo em 2020, o ouro disparou quase 45%.

Depois, o mundo mudou. O ponto de virada ocorreu em 2022, com o congelamento das reservas em moeda estrangeira da Rússia pelos países do G7, no contexto do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Essa medida sem precedentes não só abalou os mercados globais, como também rompeu a ligação fundamental entre o ouro e as taxas de juros reais. Tornou-se evidente que, se as reservas podem ser inutilizadas por uma única decisão política, os instrumentos financeiros tradicionais já não garantem segurança.

A revolta do ouro: o metal precioso abandona as antigas regras devido a fatores geopolíticos e às estratégias dos bancos centrais

Novas "baleias" no mercado

Os investidores tradicionais, que acompanhavam de perto a política do Fed, estão sendo substituídos por novos participantes — principalmente os bancos centrais de mercados emergentes, que buscam maior independência em relação às reservas em moeda estrangeira.

Só nesta semana, a China informou o maior aumento mensal de suas reservas de ouro em três anos, referente a agosto. Essa demanda sem precedentes ajudou o ouro a mais do que dobrar de preço desde o início de 2022.

E isso apesar de os rendimentos reais dos Treasuries dos EUA de 10 anos terem subido mais de 300 pontos-base. Pelas antigas regras dos livros-texto, o ouro deveria ter despencado. Em vez disso, estamos testemunhando uma verdadeira mudança de paradigma no mercado.

O dólar na mira

Uma antiga regra, porém, continua válida: a correlação inversa entre o ouro e o dólar americano permanece tão forte quanto nunca. Isso abre espaço para novos catalisadores que podem favorecer o metal.

O gigantesco Government Pension Investment Fund (GPIF) do Japão deve iniciar uma ampla realocação de ativos, e os fluxos de capital para o iene apenas reforçariam essa dinâmica. Tudo isso leva os grandes participantes globais a diversificar seus portfólios e reduzir a dependência do dólar. Naturalmente, o ouro se torna uma alternativa.

Em resumo, o mercado de metais preciosos passou por uma transformação. Agora, ele é menos influenciado por relatórios áridos de bancos centrais e mais por temores geopolíticos e estratégias de fundos soberanos. O ouro encontrou um forte suporte fundamental — mas, para que o mercado de alta continue, o dólar terá de ceder algum terreno.

*The market analysis posted here is meant to increase your awareness, but not to give instructions to make a trade
Go to the articles list Go to this author's articles Open trading account