Hoje, o Brent já subiu acima de US$ 108 por barril e depois registou uma correção. O WTI avançou igualmente 2,6%, para US$ 102,68. O movimento foi provocado pelo fechamento do oleoduto Leste-Oeste pela Arábia Saudita, anunciado pelo reino na noite de sexta-feira como medida de precaução após os ataques recentes. Não foi informado um cronograma para a retomada das operações.

Os especialistas observam que a importância dessa infraestrutura é difícil de exagerar, e não se trata apenas de sua capacidade — cerca de 7 milhões de barris por dia. Essa rota serviu como principal via para contornar o Estreito de Ormuz durante a guerra entre os EUA e o Irã. O petróleo seguia da costa leste do reino através do país até Yanbu, no Mar Vermelho, evitando o estreito bloqueado. Agora, a rota alternativa está fechada, e o próprio estreito continua sob ameaça.
A Sparta Commodities ressaltou que tudo agora depende da duração da interrupção, explicando que uma retomada rápida limitaria o efeito, já que os estoques de Yanbu poderiam ser utilizados, mas um fechamento prolongado poderia forçar cortes na produção. Suvro, do DBS Bank, acredita que os estoques de Yanbu conseguem sustentar as exportações por cinco a sete dias, após os quais ocorreriam interrupções em grande escala.
Por ora, até que a situação dos reparos seja esclarecida, a trajetória dos preços no curto prazo aponta para um possível teste de US$ 120 por barril.
O detalhe mais explosivo diz respeito à origem do ataque. O primeiro-ministro iraquiano, Ali Al-Zaidi, ordenou uma investigação no sábado e afirmou que os ataques partiram de um território localizado em uma região na fronteira com o Irã. Estou convencido de que isso altera fundamentalmente a geografia do conflito, porque, até agora, os ataques vinham por mar e do Iêmen, e agora um terceiro país — formalmente não envolvido em uma guerra — é arrastado para a cadeia de acontecimentos.
Enquanto isso, os esforços diplomáticos estão completamente paralisados, e o estreito está diretamente ligado ao oleoduto. Uma reunião planejada para segunda-feira entre o Irã e vários países do Golfo, destinada a criar um corredor temporário para o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, foi adiada, informou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al-Busaidi.
Forma-se um círculo vicioso que as partes ainda não conseguem romper. Um ataque à rota alternativa mina a confiança nas negociações sobre o próprio estreito; o colapso das conversações consolida o bloqueio; e o bloqueio aumenta o valor das rotas alternativas, que então se tornam alvos.
Os indicadores de mercado confirmam a gravidade da escassez física. O spread entre os dois contratos mais próximos do Brent aumentou para US$ 5,57 por barril, em backwardation, ante US$ 3,84 uma semana antes. Essa estrutura da curva, na qual o contrato mais próximo é negociado com prêmio em relação ao contrato seguinte, sinaliza diretamente uma escassez de entregas imediatas. Vale acrescentar que a produção da Arábia Saudita já havia recuado no mês passado para o menor nível desde a década de 1990, antes mesmo do ataque ao oleoduto.
Espero que o Brent teste a faixa de US$ 115–120 nas próximas duas semanas se o oleoduto não voltar a operar até o final da semana, já que os estoques para cinco dias em Yanbu estabelecem um prazo-limite. Se os reparos demorarem mais do que o mercado espera, os preços poderão subir ainda mais. Para o Federal Reserve, que se reunirá na quarta-feira, o fator petróleo deverá superar quaisquer nuances nos dados de inflação, porque uma alta de mais de três quartos desde o início do ano não pode ser descartada como temporária.

Quanto ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 104,70. Isso estabelece um alvo em US$ 109,30, acima do qual um rompimento será difícil. O alvo mais distante está na região de US$ 113,40. Se houver queda, os vendedores tentarão assumir o controle da marca de US$ 100. Se forem bem-sucedidos, um rompimento da faixa representará um duro golpe para as posições compradas e empurrará o petróleo em direção à mínima de US$ 96,54, com possibilidade de extensão até US$ 92.
