O euro continuou em queda hoje, e nem mesmo os dados da zona do euro, em geral alinhados às expectativas, conseguiram interromper esse movimento. Até o meio-dia, o par havia recuado para cerca de 1,1136, de onde ensaiou uma recuperação modesta. Agora, está sendo negociado próximo de 1,1148. Este é o segundo dia consecutivo de desempenho fraco da moeda única, e a razão está menos na Europa do que no dólar americano. Os traders estão cada vez mais se posicionando para uma valorização do dólar antes da reunião do Federal Reserve.
Os dados europeus divulgados pela manhã ficaram, em geral, em linha com as expectativas. O crédito ao setor privado cresceu 3,1% em setembro, exatamente em linha com as previsões dos analistas e com o resultado do mês anterior. Esse indicador mostra a disposição de empresas e famílias para tomar empréstimos. Como o crédito continua crescendo apesar dos custos mais elevados dos empréstimos, a demanda por financiamento permanece firme, e essas condições geralmente favorecem o euro. A oferta monetária M3, que mede a quantidade total de dinheiro na economia, ficou em 3,5%, ligeiramente abaixo da previsão de 3,6%. Foi uma pequena decepção. No entanto, o mercado deu pouca atenção a esses números, pois o foco já havia se voltado para os bancos centrais.
O Fed se reunirá amanhã. A probabilidade de uma alta das taxas de juros é inferior a 10%; portanto, espera-se que o Fed mantenha os juros inalterados. O principal foco será o tom das declarações das autoridades monetárias. A reunião do BCE está marcada para 29 de outubro, e a maioria dos economistas também espera que não haja mudanças. O mercado prevê que a última alta da taxa de depósito, elevando-a para 2,75%, ocorra em dezembro. Christine Lagarde afirmou anteriormente que, devido aos acontecimentos no Oriente Médio, dificilmente a inflação se aproximará significativamente da meta antes do primeiro semestre de 2027. Em setembro, a inflação ficou em 3,8%. Os preços elevados da energia mantêm a inflação em patamares elevados e, ao mesmo tempo, pressionam as empresas, deixando poucos fatores capazes de impulsionar uma recuperação do euro. Enquanto o mercado continuar concentrado no dólar, a moeda europeia provavelmente permanecerá sob pressão. Somente declarações inesperadamente *dovish* do presidente do Fed, Kevin Warsh, poderiam mudar o cenário atual.
O calendário econômico dos EUA finalmente ganha força hoje, e os dados poderão determinar se o dólar continuará pressionando o euro. Primeiro, serão divulgados os pedidos de bens duráveis (*Durable Goods Orders*) de setembro. Trata-se de pedidos de equipamentos e bens com vida útil superior a três anos, que indicam se as empresas estão dispostas a investir em expansão. Espera-se um aumento de 0,6%, após a queda de 0,1% registrada anteriormente. Excluindo os transportes, a previsão também é de alta de 0,6%, após o avanço anterior de 0,2%.
Em seguida, será divulgado o Índice de Confiança do Consumidor do Conference Board referente a outubro. Essa pesquisa, realizada com aproximadamente 5.000 famílias, mede como os consumidores avaliam suas perspectivas de renda e as condições do mercado de trabalho. A previsão é de 80,5 pontos, ante os 81,9 registrados anteriormente. Em agosto, o índice havia ficado em 89,4 pontos, indicando que a tendência de enfraquecimento já está estabelecida.
Na sequência, serão divulgados os dados de vendas de casas novas (*New Home Sales*) referentes a setembro, com previsão de 649 mil unidades, ante 684 mil no mês anterior. Esse indicador é sensível às taxas de financiamento imobiliário e mostra como os custos elevados dos empréstimos estão afetando o mercado habitacional. Por fim, será divulgado o Índice de Manufatura do Fed de Richmond referente a outubro, com previsão de 1 ponto, ante -2 no mês anterior. Essa pesquisa mede o sentimento dos fabricantes da região.
Dados fortes reforçariam a confiança no dólar e aumentariam a pressão sobre o euro, enquanto números fracos de confiança do consumidor e do mercado imobiliário poderiam proporcionar um breve alívio para o par. A confiança do consumidor e os dados do setor imobiliário provavelmente receberão mais atenção, enquanto as demais divulgações poderão ter um impacto mais limitado.
Momentum
O euro está sendo negociado atualmente a 1,1148, entre dois níveis de rompimento. O nível superior, em 1,1155, está a apenas sete pontos de distância, enquanto o nível inferior, em 1,1136, está a doze pontos. O nível de 1,1155 está atuando como resistência, e um rompimento seguido de consolidação acima desse patamar poderá levar o euro a 1,1176 e, em seguida, a 1,1195. Para isso, seriam necessários dados fracos dos EUA. Sem esse tipo de catalisador, uma alta parece improvável, já que a direção predominante do mercado hoje é de baixa.
O nível de 1,1136 funciona como suporte. O par já testou essa região hoje e apresentou uma recuperação. Um rompimento abaixo desse nível, seguido de consolidação abaixo dele, abriria caminho para 1,1117 e, em seguida, para 1,1082. O segundo alvo está relativamente distante, a mais de 50 pontos do nível de entrada, portanto, deve ser considerado uma possível extensão de uma queda acentuada. Esse continua sendo o cenário principal. No entanto, os traders iniciantes devem se lembrar de que o par já se recuperou de 1,1136 e que um segundo teste não garante um rompimento. Primeiro, o preço precisa se consolidar abaixo desse nível.
Retorno à média

Para o euro, o nível de referência superior é 1,1167, doze pontos acima do nível de rompimento em 1,1155 e mais próximo do primeiro alvo de alta. O par já perdeu força nessa região durante a manhã. Se voltar a subir até esse nível, não conseguir se manter acima dele e recuar, poderão surgir oportunidades de venda. O stop-loss deverá ser colocado acima da máxima atingida durante a tentativa frustrada de rompimento.
Há pouco risco de confundir os dois cenários nessa região, pois existe certa distância entre o nível de referência e o nível de rompimento. Ainda assim, vale lembrar um detalhe: se o preço ultrapassar 1,1155, alcançar 1,1167 e se consolidar acima desse patamar, isso indicará a continuidade do rompimento, e vender nesse ponto deixará de ser apropriado.
O nível de referência inferior, em 1,1134, está logo abaixo do nível de rompimento em 1,1136, com uma diferença de apenas dois pontos. Isso exige especial cautela por parte dos traders iniciantes. Uma diferença de dois pontos é um ruído normal do mercado, o que dificulta determinar, no primeiro teste, se o preço está rompendo o nível ou revertendo para acima dele.
Se o preço cair abaixo de 1,1136, recuar brevemente para abaixo de 1,1134 e retornar rapidamente para acima de 1,1136, isso indicará um rompimento malsucedido e uma reversão. Nesse caso, poderão ser consideradas oportunidades de compra, com o stop-loss abaixo da mínima do movimento frustrado. No entanto, se o preço cair abaixo de 1,1134 e permanecer firmemente nesse patamar, isso confirmará o rompimento, e as compras deverão ser evitadas.
A mínima diária do par praticamente coincidiu com 1,1136, o que significa que os compradores já testaram essa região.Ainda assim, as perspectivas gerais para o euro continuam desfavoráveis. Portanto, eventuais movimentos de alta tendem a ser mais limitados do que um possível prolongamento da queda.
