A onda persistente de vendas nos índices acionários mostra que nem a queda dos rendimentos dos Treasuries nem o tombo do petróleo conseguem reverter a perda de apetite dos investidores pela inteligência artificial. O Nasdaq 100 entrou em território de correção em meio aos comentários pessimistas da Apple e às preocupações de que os projetos de construção de data centers possam ser reduzidos após as eleições de meio de mandato nos EUA.
Desempenho diário do Nasdaq 100

Seria natural esperar que a queda do Brent, impulsionada por notícias sobre negociações diplomáticas entre os EUA e o Irã, servisse de alívio para o S&P 500 e o Nasdaq 100. Os Treasuries também reagiram, com recuo dos rendimentos. No entanto, as bolsas ignoraram esse alívio, e as vendas de ações de empresas dos setores de petróleo e gás acabaram ampliando as perdas.
Em outubro, o S&P 500 com pesos iguais superou o índice ponderado pela capitalização de mercado no ritmo mais acelerado desde 2009. Os setores de bens de consumo essenciais, energia, saúde e serviços públicos avançaram cerca de 8%, enquanto os setores de tecnologia da informação e serviços de comunicação recuaram aproximadamente 9%.
Dinâmica dos índices S&P 500 com pesos iguais e ponderados pela capitalização de mercado

Essas divergências destacam o papel desproporcional das megacaps, principalmente empresas de tecnologia, no mercado atual. Portanto, não foi surpresa que os problemas enfrentados pela Alphabet tenham pressionado fortemente o S&P 500; agora, a atenção voltou-se para a Apple.
O balanço da Apple parecia positivo à primeira vista. A receita do terceiro trimestre subiu 12%, a margem bruta foi de 47,9% e o lucro líquido totalizou US$ 30,71 bilhões — todos os resultados superaram as expectativas de Wall Street. Ainda assim, a administração advertiu que o crescimento da receita de serviços e as margens brutas irão desacelerar. Com isso, a ação caiu, arrastando o S&P 500 e o Nasdaq 100 para baixo.
Os investidores estão preocupados com as eleições de meio de mandato, mas a questão-chave para os mercados não é simplesmente qual partido controlará o Congresso. Mais preocupante é o risco no âmbito estadual: por exemplo, o Texas planeja colocar em operação cerca de um quarto da capacidade dos data centers dos EUA até 2030. Se novos governadores congelarem esses projetos, o impacto sobre as empresas ligadas à IA será expressivo.

Assim, apesar da avaliação do Barclays de que as últimas três eleições legislativas de meio de mandato não prejudicaram os mercados de ações nem de títulos, os índices continuam sob pressão. A Wolfe Research alerta que os traders que esperam aproveitar as quedas para comprar ações após as eleições poderão se decepcionar. A muralha de preocupações relacionadas à inteligência artificial provavelmente continuará impedindo uma valorização sustentada das bolsas.
Do ponto de vista técnico, o S&P 500 não conseguiu superar a resistência anterior, próxima de 7.645 pontos, no gráfico diário. Esse recuo abriu espaço para um aumento das posições vendidas.
