
É muito provável que a Gazprom, a gigante do gás de propriedade do Kremlin, não retome o fornecimento de gás para a Europa por pelo menos dez anos, o que aumenta o risco de desestabilização do mercado.
De acordo com o Financial Times, citando um relatório preparado para a gerência do grupo energético russo, o restabelecimento total do fornecimento de gás ao mercado energético europeu levará pelo menos uma década. Os especialistas não acreditam que isso possa ser feito a médio prazo. Até 2035, as exportações da Gazprom para a Europa devem atingir uma média de 50 a 75 bilhões de metros cúbicos por ano. Antes do conflito russo-ucraniano, a holding fornecia um terço a mais do que esses números aos países europeus.
Os obstáculos para recuperar o fornecimento de gás russo para a Europa são principalmente resultado das sanções impostas pelo Ocidente. Nesse contexto, é pouco provável que os volumes de exportação da Rússia retornem aos níveis de 2020 até, pelo menos, 2035. Os especialistas acreditam que as restrições impactaram negativamente o setor de energia russo, privando-o de tecnologias e equipamentos essenciais, como turbinas utilizadas na condução do gás pelos gasodutos, bem como as peças de reposição necessárias para sua manutenção.
Anteriormente, Heléne Fritzon, ex-membro sueco do Parlamento Europeu, propôs a introdução de rotulagem para todas as commodities de energia que entram no mercado europeu, especialmente petróleo e gás. Essa rotulagem forneceria dados sobre a origem e outras características relevantes dessas commodities ao ingressarem no mercado europeu. Segundo a política sueca, essa medida é necessária para bloquear a importação de combustíveis fósseis da Rússia, que tentam contornar as sanções em curso, para o mercado europeu. Embora essa iniciativa tenha sido proposta pela primeira vez em 2011, foi rejeitada na época. Agora, Fritzon enfatiza que essa medida poderia aumentar a pressão das sanções sobre Moscou.
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