
O Fundo Monetário Internacional (FMI) trouxe um leve sopro de otimismo aos mercados ao revisar para cima sua projeção de crescimento global de 3,0% para 3,2% em 2025. Apesar das disputas comerciais, do impasse fiscal nos Estados Unidos e da guerra tecnológica em torno dos semicondutores, a economia mundial tem se mostrado um pouco mais resiliente do que se estimava há dois meses.
O relatório destaca que o impacto das tarifas e dos choques financeiros foi menor do que o esperado. Ainda assim, o FMI alerta que esse cenário pode se reverter rapidamente caso o presidente dos EUA, Donald Trump, avance com a proposta de impor tarifas de 100% sobre produtos chineses, e possivelmente sobre outras regiões. Em uma metáfora bem-humorada, o documento sugere que a situação se assemelha a uma previsão de tempo em outubro: “Ainda faz calor, mas convém manter o guarda-chuva e o casaco de inverno por perto.”
Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, afirmou que os acordos comerciais firmados recentemente pelos EUA ajudaram a evitar o que chamou de “terremoto comercial de Trump”. No entanto, o alerta permanece: uma escalada tarifária poderia reduzir o PIB global em até 0,6% até 2028 — o equivalente, nas palavras de Gourinchas, a o mundo “tirar férias econômicas forçadas”.
Os números do crescimento projetado por país revelam um quadro desigual:
- Estados Unidos: avanço estável de 2% em 2025;
- Zona do euro: crescimento de 1,2%, com impulso da Espanha e estímulo fiscal na Alemanha;
- Japão: crescimento de 1,1%, considerado expressivo para os padrões do país;
- China: segue em cenário de “estabilidade inquieta”, com projeção de 4,8%;
- Rússia: crescimento modesto de 0,6%, ainda assim acima de algumas economias europeias.
No geral, a recuperação global continua, mas em ritmo moderado, e com desequilíbrios regionais claros.
A inflação global, por sua vez, deve se manter em torno de 4,2%, nível que economistas começam a chamar de “novo normal” da era pós-tarifas.