O real brasileiro se fortaleceu em direção a 5,22 por dólar nesta segunda-feira, sustentado pelos juros domésticos elevados e por uma forte alta nos preços do petróleo, o que ajudou a compensar a fuga global mais ampla para ativos de segurança. O dólar havia subido inicialmente para a máxima de seis semanas em meio à intensificação das tensões no Oriente Médio, mas o real recuperou terreno depois que o último Boletim Focus sinalizou uma perspectiva mais hawkish para a política monetária em 2026, com a projeção da taxa Selic revisada para cima, de 12,00% para 12,13% em relação à semana anterior.
Esse ajuste evidencia a crescente preocupação de que preços de energia mais altos e o aumento da defasagem entre os preços domésticos dos combustíveis e as referências internacionais possam cristalizar a inflação, potencialmente forçando o banco central a manter por mais tempo sua postura de política, já restritiva, em 15%. Embora o movimento global em direção a ativos de refúgio continue a pressionar os mercados mais arriscados, o papel do Brasil como exportador de petróleo e a resiliência do seu mercado de trabalho têm permitido ao real superar a maior parte das moedas da região.
Mesmo assim, os investidores permanecem cautelosos à espera dos próximos dados de inflação, já que o aumento da defasagem entre os preços domésticos e internacionais dos combustíveis aponta para uma pressão de alta subjacente sobre o índice IPCA.