O rendimento do título público brasileiro de 10 anos avançou para 15,25% em novembro, impulsionado pela incerteza em relação à política fiscal e pelo aumento das expectativas de alta de juros pelo Federal Reserve dos EUA. Os investidores seguem com atenção redobrada sobre a postura fiscal do Brasil, em especial quanto à disposição do governo em conter gastos e estabilizar a dívida pública, que cresceu de forma acentuada nos últimos anos.
O presidente Lula vem sofrendo pressão crescente do mercado para apresentar um plano crível de ajuste fiscal. Preocupações com a trajetória da dívida do país o levaram a se reunir com integrantes da equipe econômica e ex-assessores, embora nenhuma medida concreta tenha sido anunciada até o momento.
Paralelamente, a folha de pagamento não agrícola dos EUA (US nonfarm payrolls) aumentou em 165.000 no mês passado, superando todas as estimativas, enquanto a taxa de desemprego recuou levemente. Esses dados mais fortes do mercado de trabalho reforçaram as expectativas de que o Federal Reserve manterá uma postura de política monetária restritiva por mais tempo. Juros persistentemente elevados em economias avançadas também podem levar o Banco Central do Brasil (BCB) a manter uma política monetária doméstica apertada. Em linha com isso, o BCB manteve a taxa Selic inalterada em 13,75% em sua última reunião, interrompendo seu ciclo de afrouxamento.